Trinta anos depois de Dolly, clonagem ganha novas aplicações, mas ainda enfrenta limitações

Por Frederico Gomes*21/07/2026 às 14:520 visualizações
Foto: Toni Barros/Magnific
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Jornal da USP
🎙 Frederico Gomes* · Jornal da USP

Tecnologia é aplicada na reprodução de animais e em pesquisas para transplantes, apesar dos desafios para ampliar seu uso

 Publicado: 21/07/2026 às 11:52
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Após sua morte, o corpo de Dolly foi empalhado e está em exibição no Museu Nacional da Escócia –
Após sua morte, o corpo de Dolly foi empalhado e está em exibição no Museu Nacional da Escócia – — Toni Barros/Magnific
Após sua morte, o corpo de Dolly foi empalhado e está em exibição no Museu Nacional da Escócia – Foto: Toni Barros/Magnific
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A ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado com sucesso, nasceu em julho de 1996 e marcou um dos maiores avanços da biotecnologia. Trinta anos depois, a técnica foi aplicada em diferentes espécies, como bovinos, equinos, suínos e roedores. Apesar dos avanços científicos, a clonagem animal ainda apresenta baixa eficiência e não se consolidou como ferramenta de uso comercial em larga escala.

Segundo Marcelo Demarchi Goissis, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, a taxa de sucesso permanece reduzida e há elevado risco de alterações inesperadas nos animais clonados, o que limita a aplicação da técnica em programas de melhoramento genético.

Marcelo Demarchi Goissis –
Marcelo Demarchi Goissis – — Arquivo pessoal
Marcelo Demarchi Goissis – Foto: Arquivo pessoal

Contribuições para outras áreas da ciência

Embora a clonagem animal não tenha evoluído na velocidade esperada, a tecnologia impulsionou importantes avanços em outras áreas da biologia, como as pesquisas com células-tronco e reprogramação genética.

“É uma técnica que ainda não foi adotada comercialmente, como se esperava, para fins de melhoramento genético”

Para o pesquisador, a clonagem continua sendo uma ferramenta científica relevante. “Apesar do sucesso não estar tão evidente ainda, ela foi importante e ainda pode ser importante”, afirma.

Aplicações na pecuária e em animais de elite

Atualmente, a principal utilização da clonagem ocorre na reprodução de animais de alto valor genético. Na pecuária, a técnica permite multiplicar exemplares com características produtivas consideradas superiores.

Segundo Goissis, um segmento que vem crescendo é o da clonagem de equinos de alto desempenho. Diferentemente dos bovinos, em que o interesse é voltado ao rebanho, a clonagem de cavalos atende à demanda por animais com características individuais, como desempenho esportivo. Cavalos de corrida e de competições equestres podem ser clonados para preservar características genéticas consideradas desejáveis.

Brasil é referência em pesquisas

O Brasil passou a integrar o grupo de países com domínio da tecnologia poucos anos após o nascimento de Dolly. Em março de 2001, nasceu Vitória, a primeira bezerra clonada no País, desenvolvida por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, um dos pioneiros foi o professor José Antonio Visintin, responsável pelo desenvolvimento de Marcolino, primeiro bovino brasileiro clonado a partir de células fetais.

Clonagem pode ampliar os xenotransplantes

Mais recentemente, pesquisadores da USP obtiveram sucesso na clonagem de um porco geneticamente modificado para que seus órgãos possam ser utilizados em transplantes para seres humanos. A técnica integra as pesquisas em xenotransplantes, procedimento que utiliza órgãos de outras espécies.

De acordo com Goissis, a ideia de utilizar órgãos de animais em humanos não é nova, mas os avanços nas técnicas de edição genética permitiram retomar essa linha de pesquisa. Para o pesquisador, a combinação entre clonagem e modificação genética abre novas perspectivas para a medicina, especialmente diante da escassez de órgãos para transplante.

*Sob supervisão de Marcia Avanza


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