Governo quer usar mesas de negociação com empresários sobre tarifaço para avançar com fim da escala 6×1

Por Isegun Oliveira21/07/2026 às 18:250 visualizações
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva
Brasil de Fato

As negociações abertas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para enfrentar os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos passaram a ser vistas, dentro do Palácio do Planalto, como uma oportunidade para destravar outra pauta considerada estratégica pelo governo e por movimentos sindicais: o fim da escala 6×1.

Segundo interlocutores ouvidos pelo Brasil de Fato, a avaliação é de que a construção do Plano Brasil Soberano — elaborado para proteger a indústria nacional, preservar empregos e reduzir os efeitos das medidas adotadas pelo governo de Donald Trump –, cria um ambiente político favorável para ampliar o diálogo com o setor produtivo sobre mudanças nas relações de trabalho.

As primeiras rodadas de negociação com representantes da indústria, do comércio e de outros segmentos econômicos começam nesta terça-feira (21). A orientação do Planalto é aproveitar as conversas para discutir uma agenda mais ampla de fortalecimento da economia, que combine medidas emergenciais de apoio às empresas com contrapartidas voltadas à valorização do trabalho.

Nos bastidores, auxiliares de Lula defendem que este é o momento de iniciar a construção de uma “troca mútua”. Pela lógica em discussão, o governo ofereceria instrumentos para reduzir os impactos do tarifaço — como linhas de crédito, incentivos, abertura de novos mercados e outras medidas previstas no Plano Brasil Soberano — enquanto buscaria dos setores beneficiados disposição para negociar o avanço da redução da jornada.

A leitura dentro do governo é que a reorganização das cadeias produtivas provocada pela crise comercial abre espaço para recolocar no centro do debate temas históricos da agenda trabalhista. Integrantes do Planalto querem ir além da garantia de postos de emprego e melhorar as condições de quem vive do próprio trabalho.

A proposta ainda está em estágio inicial e não há, neste momento, um formato fechado para eventual negociação. Ainda assim, interlocutores do presidente afirmam que o governo pretende aproveitar a mesa de diálogo construída como espaço para discutir compromissos de médio e longo prazo entre Estado, trabalhadores e o setor produtivo.

Fonte
Brasil de Fato
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