Maioria dos serviços meteorológicos não utiliza previsão probabilística de ciclones tropicais nas ações de prevenção e aviso à população; a principal barreira à utilização destes instrumentos inovadores prende-se com a formação inadequada de profissionais.
A previsão probabilística de ciclones tropicais pode ajudar a melhorar os avisos precoces e a preparação para catástrofes. No entanto, vários Estados continuam a não integrar a informação nos seus sistemas de decisão.
O aviso é da Organização Meteorológica Mundial, OMM, que tem vindo a trabalhar com serviços meteorológicos de vários países, promovendo a adoção da previsão probabilística de ciclones tropicais nas diversas regiões.
Tecnologias existem, mas não chegam às pessoas
Os resultados preliminares de uma análise da OMM a 78 países demonstram que apenas 43% dos respondentes utilizam atualmente previsões probabilísticas de forma operacional, enquanto mais de metade não as utiliza ou ainda está em fase de transição.
As tecnologias probabilísticas têm-se tornado cada vez mais sofisticadas, sendo capazes de refletir a incerteza associada a uma tempestade, mapear a probabilidade de impacto, estimar a velocidade do vento e prever a maré associada a uma determinada tempestade.

No seu conjunto, estes produtos podem ajudar os previsores e os responsáveis de emergência não só a decifrar o comportamento de uma tempestade, mas também os impactos que estas podem produzir.
A adoção destes instrumentos não enfrenta apenas barreiras tecnológicas. De acordo com a OMM, apenas 56% dos países que usam previsões probabilísticas formaram os utilizadores para as interpretar, e menos de metade integra essa informação nos avisos ao público.
Inteligência artificial aumenta o grau de exigência
O desenvolvimento de modelos meteorológicos baseados em inteligência artificial, IA, tem impulsionado as capacidades de previsão dos serviços meteorológicos nos últimos anos, mas também acarreta novos riscos.
A OMM sublinha que os previsores continuam a precisar de avaliar a informação, traduzir a incerteza em orientações concretas e garantir uma comunicação clara com os responsáveis pela gestão de catástrofes.
A ciência que sustenta a previsão probabilística de ciclones tropicais nunca foi tão robusta. O desafio agora é garantir que essa informação chega aos previsores, aos gestores de emergência e às comunidades antes da próxima tempestade.
