Previsão de ciclones para salvar vidas ainda está subaproveitada, diz OMM

21/07/2026 às 12:000 visualizações
Um membro do comitê local de redução de riscos de desastres transmite mensagens de alerta precoce aos moradores de uma aldeia às margens do rio Licungo, na província de Zambézia, em Moçambique
Um membro do comitê local de redução de riscos de desastres transmite mensagens de alerta precoce aos moradores de uma aldeia às margens do rio Licungo, na província de Zambézia, em Moçambique
Foto: OMM / ONU Clima
Previsão de ciclones para salvar vidas ainda está subaproveitada, diz OMM
21 Julho 2026 Clima e Meio Ambiente

Maioria dos serviços meteorológicos não utiliza previsão probabilística de ciclones tropicais nas ações de prevenção e aviso à população; a principal barreira à utilização destes instrumentos inovadores prende-se com a formação inadequada de profissionais.

A previsão probabilística de ciclones tropicais pode ajudar a melhorar os avisos precoces e a preparação para catástrofes. No entanto, vários Estados continuam a não integrar a informação nos seus sistemas de decisão.

O aviso é da Organização Meteorológica Mundial, OMM, que tem vindo a trabalhar com serviços meteorológicos de vários países, promovendo a adoção da previsão probabilística de ciclones tropicais nas diversas regiões. 

Tecnologias existem, mas não chegam às pessoas

Os resultados preliminares de uma análise da OMM a 78 países demonstram que apenas 43% dos respondentes utilizam atualmente previsões probabilísticas de forma operacional, enquanto mais de metade não as utiliza ou ainda está em fase de transição.

As tecnologias probabilísticas têm-se tornado cada vez mais sofisticadas, sendo capazes de refletir a incerteza associada a uma tempestade, mapear a probabilidade de impacto, estimar a velocidade do vento e prever a maré associada a uma determinada tempestade.

OMM Um membro do comitê local de redução de riscos de desastres transmite mensagens de alerta precoce aos moradores de uma aldeia às margens do rio Licungo, na província de Zambézia, em Moçambique
OMM Um membro do comitê local de redução de riscos de desastres transmite mensagens de alerta precoce aos moradores de uma aldeia às margens do rio Licungo, na província de Zambézia, em Moçambique
OMM Um membro do comitê local de redução de riscos de desastres transmite mensagens de alerta precoce aos moradores de uma aldeia às margens do rio Licungo, na província de Zambézia, em Moçambique

No seu conjunto, estes produtos podem ajudar os previsores e os responsáveis de emergência não só a decifrar o comportamento de uma tempestade, mas também os impactos que estas podem produzir.

A adoção destes instrumentos não enfrenta apenas barreiras tecnológicas. De acordo com a OMM, apenas 56% dos países que usam previsões probabilísticas formaram os utilizadores para as interpretar, e menos de metade integra essa informação nos avisos ao público.

Inteligência artificial aumenta o grau de exigência

O desenvolvimento de modelos meteorológicos baseados em inteligência artificial, IA, tem impulsionado as capacidades de previsão dos serviços meteorológicos nos últimos anos, mas também acarreta novos riscos.

A OMM sublinha que os previsores continuam a precisar de avaliar a informação, traduzir a incerteza em orientações concretas e garantir uma comunicação clara com os responsáveis pela gestão de catástrofes.

A ciência que sustenta a previsão probabilística de ciclones tropicais nunca foi tão robusta. O desafio agora é garantir que essa informação chega aos previsores, aos gestores de emergência e às comunidades antes da próxima tempestade.

Fonte
ONU Clima
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