O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitou um evento com diplomatas estrangeiros para repetir fake news já desmentidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, em evento semelhante ao realizado pelo pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 18 de julho de 2022.
Durante sua fala, o senador afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic. E citou um relatório da CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, que aponta que a empresa estaria envolvida em um plano de fraude eleitoral nas eleições de 2012, na Venezuela.
“Hgolpeá uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela, inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando sobre a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação”, afirmou.
As falas ocorreram durante o evento “Debating Brazil”, promovido pela agência Novo Selo Comunicação em parceria com o jornal The Brazilian Report.
“Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa. Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas são da mesma empresa”, continuou Flávio.
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entretanto, já desmentiu essa afirmação em outras ocasiões. A Smartmatic, responsável pelos sistemas eletrônicos utilizados na Venezuela, não fornece urnas eletrônicas nem softwares para as eleições brasileiras.
“Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, diz o TSE, em seu site.
A Smartmatic participou de uma licitação para a fabricação de urnas eletrônicas brasileiras em 2020, mas não foi vencedora. A empresa manteve apenas contratos de treinamento de profissionais de suporte técnico e de prestação de serviços de conexão de dados e voz.
Após repetir a informação falsa já propagada pela extrema direita em outros momentos, Flávio alegou que não estava questionando o sistema de votação brasileiro, mas pediu “que todos os países possam mandar a maior quantidade possível de observadores para as eleições, como sempre fazem”.
Jair Bolsonaro
Em 18 de julho de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro, atualmente condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, reuniu-se com diplomatas de vários países e disse, sem provas, que as urnas eletrônicas não seriam seguras.
O ex-presidente foi processado e condenado pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, devido às declarações falsas. A decisão da Corte tornou Bolsonaro inelegível até 2030.
