"[Trump] precisa de uma vitória tanto que houve apenas um memorando de entendimento, que é um compromisso para se chegar a um acordo. É por isso que o presidente Trump precisa entender que perdeu a guerra e lidar com o Irã do jeito que está, porque ele precisa que os preços dos combustíveis se normalizem. Essa oscilação na economia internacional está destruindo a reputação que ele tem", disse.
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"No âmbito doméstico, o presidente Trump tem problemas. Sempre menciono o ponto do preço dos combustíveis, que está muito alto. Isso pode gerar inflação, e o americano é atento a essas coisas. Outro ponto são as eleições e se ele vai ter maioria na Câmara e no Senado, e isso está ameaçado, o que pode levar ao impedimento do presidente Trump. Então, ele precisa fazer algum gesto que consolide um consenso de união nacional", comenta.
Demanda local contrasta com a atual política externa
"O americano comum não está nem aí para o Irã, é verdade. Mas o preço da carne, da gasolina e do custo de vida, além da inflação subindo nos EUA por causa da guerra no Irã, aí sim, isso tem impacto. Porque essa conta vai estourar para quem está em casa e vai responder em uma eleição logo ali na frente", destaca.
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"Se o impacto nos EUA é grande, no Japão será devastador e na Coreia do Sul é para destruir sua economia. O impacto do petróleo nas alturas e de não conseguir exportar gás do Catar, porque a saída para a Europa, quando rompeu com a Rússia, foi essa, para depois comprar gás caro dos EUA. Como [Henry] Kissinger dizia: ser inimigo dos EUA custa caro, mas ser amigo custa mais caro ainda", observa.
EUA erram ao desconsiderar a história milenar iraniana
"O Irã já venceu uma guerra. Pode-se ficar mais 20 anos de guerra, mas [os EUA] vão invadir um país com 90 milhões de habitantes, que tem uma história e uma cultura únicas e singulares? Eles veem o Irã de 1979 para cá, e isso é um erro crasso: pensar o Irã a partir da República Islâmica. Então, penso que os EUA têm que sair dessa confusão quanto antes, porque vão perder de novo", conclui.
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