Justiça do RJ condena União por ofensas à memória de João Cândido, líder da Revolta da Chibata

22/07/2026 às 13:090 visualizações
João Cândido, também conhecido como almirante negro, foi um dos líderes da Revolta da Chibata
João Cândido, também conhecido como almirante negro, foi um dos líderes da Revolta da Chibata
Brasil de Fato

A 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro Justiça Federal condenou a União a pagar R$ 300 mil de indenização por danos morais por ofensa à memória de João Cândido, um dos líderes da Revolta da Chibata ocorrida em 1910 no Rio de Janeiro. O destinatário será o filho caçula João Cândido Felisberto.

A ação foi movida por Felisberto e acompanhada pelo Ministério Público Federal (MPF) após um documento encaminhado pela Marinha à Câmara dos Deputados, em 2024, se referir a revolta como uma “deplorável página da história nacional” e desqualificar seus participantes. A rebelião foi motivada pelos constantes castigos físicos sofridos pelos marinheiros, direcionados exclusivamente aos ocupantes de postos mais baixos da Marinha, em sua maioria homens negros.

Na decisão, a Justiça segue parcialmente a posição defendida pelo Ministério Público Federal (MPF), considera que a proteção jurídica da memória de João Cândido alcança também seus familiares e que o filho tem legitimidade para buscar reparação pelos danos sofridos em decorrência das manifestações oficiais. Segundo a sentença, embora a Marinha tenha liberdade para apresentar interpretações históricas sobre a Revolta da Chibata, não está autorizada ao de linguagem estigmatizante contra personagem anistiado.

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A decisão reconhece os danos morais, mas não reconheceu a condição do almirante negro como militar reformado e os efeitos financeiros retroativos e às pensões, por entender que essas pretensões estavam prescritas ou encontravam impedimento na Lei nº 11.756/2008. A norma anistiou os participantes do movimento, com veto ao dispositivo que previa os efeitos financeiros da medida.

Em nota, o MPF declarou a necessidade de reconhecer “contribuição histórica de personagens negros e a reconstrução de narrativas marcadas por apagamentos institucionais” e entende que a memória de João Cândido ultrapassa interesses individuais “especialmente por sua relação com a luta da população negra contra práticas herdadas do período escravocrata”.

Fonte
Brasil de Fato
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