A 12ª Marcha Estadual das Mulheres Negras do Rio de Janeiro acontece neste domingo (26) na praia de Copacabana. O ato celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela. A concentração começa às 10h, no posto 2 da praia.
Diversos coletivos de mulheres negras organizam a manifestação, reivindicando reparação histórica, enfrentamento ao racismo, ao sexismo e às diversas formas de violência que atingem a população negra.
“O mote da nossa marcha esse ano é mulheres negras do estado do Rio de Janeiro, em defesa da democracia, contra o racismo, por reparação e bem-viver”, disse a representante do Fórum Estadual de Mulheres Negras Clátia Vieira ao Brasil de Fato.
Ela explica que a marcha deste ano dá continuidade ao processo de mobilização iniciado nas últimas décadas. O conceito de bem-viver se consolidou como eixo político e horizonte da luta do movimento de mulheres negras em todo o país. A proposta é a defesa de um modo de vida mais justo e sustentável, baseado no respeito à ancestralidade, na defesa dos territórios, na justiça climática e no combate às desigualdades raciais e de gênero.
Outro ponto de destaque é a defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 27/2024 que inclui na Constituição o direito à igualdade racial e às políticas afirmativas. Além disso, propõe o Fundo Nacional de Reparação Econômica e Promoção da Igualdade Racial, financiado pelo orçamento público e por doações e indenizações de empresas historicamente ligadas à escravidão.
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Clátia Vieira afirma ainda que a mobilização provoca reflexão sobre a importância de eleger parlamentares negras comprometidas. “Não se trata de apenas votar na pele preta. Quando a gente fala de mulheres negras, a gente está falando de um posicionamento, de uma postura política de enfrentamento ao racismo e na discussão de gênero. Não basta ser mulher negra. Essa mulher precisa ter um vínculo com o movimento de mulheres negras, com o movimento negro, com o movimento popular”, pontua.
“A gente precisa de gestoras, de parlamentares que entendam que o gabinete é o suporte, mas que a militância, a atuação política, a entrega e a escuta são feitas na ponta”, completa Vieira, uma das coordenadoras da marcha estadual.
Para a ONG Criola, um ponto fundamental no Rio de Janeiro é enfrentar o racismo no acesso à saúde da população negra. A pesquisadora do projeto Saúde das Mulheres Negras, Rita Borret, pontua que um dos problemas é a falta de informação em saúde. “Como fazer escolhas, falar em justiça reprodutiva e dignidade menstrual, se elas não sabem nem o direito que têm?”, questiona.
“Ao mesmo tempo, temos observado que mulheres negras vêm desenvolvendo estratégias de autocuidado e, nesse caminho, entendemos que elas têm muito a ensinar para a atenção básica. Temos a perspectiva de achar pontes de diálogo”, finaliza.
Serviço
12ª Marcha das Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro
Data: domingo (26)
Horário: a partir das 10h
Local: Praia de Copacabana (Posto 2)
