O ator espanhol Javier Bardem afirmou nesta quarta-feira (22) que “nunca disse que a Argentina é um país xenófobo ou racista” e rebateu interpretações de uma entrevista concedida após a final da Copa do Mundo de 2026. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele disse que suas críticas eram dirigidas ao presidente argentino Javier Milei e voltou a condenar o apoio do governo do país ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a quem classificou como “criminoso de guerra”.
“O que eu nunca disse e nunca diria é que a Argentina é um país xenófobo ou racista, ou qualquer coisa do tipo. Isso nunca saiu da minha boca e nunca sairá”, declarou.
Segundo o ator, sua declaração original foi de que seria injusto responsabilizar a seleção argentina pelas posições políticas de Milei. “Milei não representa nem de longe a grande maioria dos argentinos”, disse.
Bardem também explicou que considerou injusto o fato de o apoio incondicional do presidente argentino a Netanyahu ter influenciado parte da torcida internacional durante a decisão da Copa do Mundo.
“Eu dizia que me parecia injusto que, devido às atitudes de Milei e ao apoio incondicional – e às vezes muito orgulhoso – que ele demonstra a alguém que é um criminoso de guerra como Netanyahu, muita gente acabasse apoiando o outro time”, afirmou.
Na entrevista ao jornalista britânico Mehdi Hasan, que motivou a repercussão, Bardem já havia afirmado que o apoio de Milei ao governo israelense havia criado um ambiente político em torno da decisão entre Argentina e Espanha. Na ocasião, o ator declarou que “quando um presidente apoia tão abertamente uma pessoa que é um criminoso de guerra como Netanyahu, as pessoas querem apoiar o outro time”, mas ressaltou que o presidente argentino “não é a totalidade da Argentina”.
Memória, verdade e justiça
No vídeo divulgado nesta quarta-feira, Bardem afirmou que algumas interpretações atribuíram a ele declarações que jamais fez. O ator aproveitou para reafirmar seu vínculo com o país sul-americano.
“Pela Argentina, eu só tenho muito carinho, muito respeito, muita gratidão e muita admiração”, afirmou, citando o cinema, a cultura, a vida social e as relações pessoais construídas ao longo da carreira.
Bardem também destacou que considera a Argentina uma referência internacional nas políticas de memória, verdade e justiça.
“A Argentina é uma inspiração para muita gente no meu país pelo processo de reparação realizado para levar justiça às vítimas da ditadura militar. Um processo que, infelizmente, não aconteceu na Espanha. Nesse sentido, assim como em muitos outros, a Argentina é uma inspiração e uma referência”, disse.
Ao encerrar a gravação, o ator voltou a afirmar que decidiu se manifestar para impedir que sua fala fosse utilizada contra o povo argentino.
“Para mim era importante deixar tudo isso claro, sobretudo aquilo que nunca disse e nunca diria, pelo respeito e pelo carinho que tenho pelo povo argentino”, concluiu.
Apoio à Palestina marcou presença na Copa
Bardem foi uma das personalidades mais presentes nas arquibancadas durante a campanha da seleção espanhola na Copa do Mundo de 2026. Além de acompanhar partidas da equipe, o ator utilizou a visibilidade do torneio para defender o povo palestino e denunciar a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.
Após a conquista do título mundial pela Espanha, Bardem publicou uma homenagem aos jogadores nas redes sociais, agradecendo por representarem “a diversidade” do país e por defenderem “o respeito aos direitos de povos e coletivos que precisam de voz”.
A publicação foi acompanhada por imagens da comemoração do título e por uma fotografia de Lamine Yamal segurando uma bandeira da Palestina durante a festa pelo título espanhol da liga nacional, além de um mural em Gaza reproduzindo a mesma cena.
