Livro traz ao público juvenil narrativa mítica baseada na cosmologia iorubá

23/07/2026 às 17:260 visualizações
Capa do livro Exu-Mulher e o Mundo dos Homens - Foto: Divulgação
Capa do livro Exu-Mulher e o Mundo dos Homens - Foto: Divulgação
Jornal da USP

A escritora, jornalista e pesquisadora Claudia Alexandre estreia na literatura juvenil com “Exu-Mulher e o Mundo dos Homens”, uma fabulação mitológica inspirada na cosmologia dos orixás

 Publicado: 23/07/2026 às 14:26
Livro convida jovens leitores a refletirem sobre temas urgentes da atualidade, como a crise ambiental e o respeito às diferenças – Capa do livro Exu-Mulher e o Mundo dos Homens –
Livro convida jovens leitores a refletirem sobre temas urgentes da atualidade, como a crise ambiental e o respeito às diferenças – Capa do livro Exu-Mulher e o Mundo dos Homens – — Divulgação
Livro convida jovens leitores a refletirem sobre temas urgentes da atualidade, como a crise ambiental e o respeito às diferenças – Capa do livro Exu-Mulher e o Mundo dos Homens – Foto: Divulgação

 

Estreando na literatura juvenil, a jornalista, pesquisadora e escritora Cláudia Alexandre estará na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), nesta sexta-feira (24), para o lançamento do livro Exu-Mulher e o Mundo dos Homens. Inspirado na riqueza da cosmologia iorubá, a obra apresenta uma narrativa mítica e contemporânea sobre equilíbrio, natureza e humanidade. Cláudia é pesquisadora do Centro de Estudos de Religiosidades Contemporâneas e das Culturas Negras (Cerne), grupo de pesquisa do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Ela também integra o programa de pós-doutorado na FFLCH, onde estuda as relações entre as escolas de samba de São Paulo e as religiões afro-brasileiras. A autora conquistou, em 2024, o Prêmio Jabuti Acadêmico com Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô, livro que inspirou o enredo campeão da Escola de Samba Pérola Negra no carnaval paulistano de 2025.

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Livro premiado no Jabuti narra as transformações sofridas por Exu no Ocidente

Na história de Exu-Mulher e o Mundo dos Homens, o céu do Orun escurece e as pontes mágicas que ligam o mundo dos orixás ao ayê — a Terra — começam a perder sua força. Florestas adoecem, rios sofrem, animais desaparecem e os seres humanos parecem ter esquecido como cuidar uns dos outros. Diante da ameaça de destruição de sua maior criação, Olodumaré reúne os orixás em busca de uma solução. Mas a resposta surge de onde ninguém esperava: Exu-Mulher, personagem que revela que o mundo perdeu o equilíbrio ao esquecer uma parte essencial da própria criação.

Temas urgentes

Misturando aventura, imaginação e ancestralidade, Exu-Mulher e o Mundo dos Homens convida jovens leitores a refletirem sobre temas urgentes da atualidade, como a crise ambiental, o respeito às diferenças, a responsabilidade coletiva e a importância da complementaridade entre as forças feminina e masculina para a construção do bem-viver. A publicação marca uma nova etapa na trajetória literária de Claudia Alexandre, reconhecida por sua produção acadêmica sobre religiosidades afro-brasileiras, cultura negra e carnaval.

Claudia Alexandre estará na FLIP em Paraty, para o lançamento do livro –
Claudia Alexandre estará na FLIP em Paraty, para o lançamento do livro – — Arquivo pessoal
Claudia Alexandre estará na FLIP em Paraty, para o lançamento do livro – Foto: Arquivo pessoal

 

Ainda em 2026, a autora lançará também Tia Ciata e o Mistério da Foto, pela Editora Cortez, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 12 de setembro. A obra infantil aborda, por meio da ficção, a preservação da memória de uma das mais importantes matriarcas do samba brasileiro e a invisibilização histórica das mulheres negras.

Com Exu-Mulher e o Mundo dos Homens, Claudia Alexandre amplia seu diálogo com as novas gerações, transformando a tradição oral e a cosmologia dos orixás em uma narrativa acessível, sensível e comprometida com a valorização das matrizes africanas e afro-brasileiras. A obra convida crianças, adolescentes e suas famílias a refletirem sobre um princípio fundamental da tradição iorubá: o equilíbrio do mundo depende da capacidade de caminhar juntos, em respeito à natureza, à diversidade e à complementaridade entre as diferentes forças da vida.

A obra será publicada pelo Borboleta de Aruanda, selo dedicado à literatura para crianças e adolescentes da Editora Aruanda, a mesma casa editorial responsável pela obra premiada de Cláudia Alexandre que investiga a masculinização e a demonização de Exu, além das tensões de gênero na formação dos candomblés brasileiros. Na FLIP, a autora participará de três atividades dedicadas ao diálogo entre literatura, ancestralidade, cultura afro-brasileira e infância: às 14 horas, na Casa Poéticas Negras; às 16h30, na Casa da Favela; e às 20 horas, na Casa Oásis, onde também apresentará a nova obra ao público.

Contato com a autora: @claualex16 – Instagram

Com informações da Central de Comunicação: centraldecomunicacao@gmail.com


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