Estudo analisa as presença da agricultura familiar no Centro-Oeste brasileiro

Por Talita de Paula Souza*23/07/2026 às 14:100 visualizações
Homem negro empurrando um carrinho de mão por uma plantação agrícola.
Homem negro empurrando um carrinho de mão por uma plantação agrícola.
Jornal da USP
🎙 Talita de Paula Souza* · Jornal da USP

Pesquisa da USP mostra que fortalecer os pequenos produtores pode ser decisivo para ampliar a diversidade de alimentos e promover sistemas alimentares mais sustentáveis

 Publicado: 23/07/2026 às 11:10
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A agricultura familiar costuma adotar sistemas produtivos mais diversificados e está associada a menores impactos ambientais –
A agricultura familiar costuma adotar sistemas produtivos mais diversificados e está associada a menores impactos ambientais – — ASergio Amaral/MDS – Governo Federal
A agricultura familiar costuma adotar sistemas produtivos mais diversificados e está associada a menores impactos ambientais – Foto: ASergio Amaral/MDS – Governo Federal
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Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Saúde Pública daUSP, em parceria com o Grupo de Estudos e Intervenções em Sistemas Alimentares (Geias) e o Núcleo Sustentarea, com apoio da Fapesp, analisou dados de 466 municípios do Centro-Oeste brasileiro para compreender como a agricultura familiar está distribuída na região. Conhecido pela concentração de terras e pelo predomínio de grandes monoculturas, principalmente de soja, o Centro-Oeste apresenta desafios históricos para a permanência dos pequenos produtores rurais.

Lucas Moura –
Lucas Moura – — Lattes
Lucas Moura – Foto: Lattes

A agricultura familiar desempenha papel fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável e na garantia da segurança alimentar. Segundo Lucas Moura, professor do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP e responsável pela pesquisa, são os agricultores familiares que abastecem a mesa dos brasileiros com alimentos básicos, como feijão, mandioca, hortaliças e frutas.

Concentração de terras reduz espaço para pequenos produtores

Um dos principais resultados do estudo foi a identificação de uma relação entre maior concentração fundiária e menor presença da agricultura familiar. Em outras palavras, municípios com predominância de grandes propriedades rurais tendem a oferecer menos espaço para a produção dos pequenos agricultores.

Segundo Lucas Moura, o problema não está na produção de soja em si, mas no modelo histórico de ocupação do território.

“Entre alguns fatores, podemos destacar as políticas de ocupação do Centro-Oeste desde a década de 1970, que favoreceram a presença das grandes propriedades rurais e a adoção de um modelo baseado na Revolução Verde, com mecanização intensiva concentrada nas mãos de grandes produtores. Além disso, a expansão dessas monoculturas é voltada principalmente à exportação e, muitas vezes, à produção de subprodutos, e não de alimentos que compõem a dieta da população brasileira”

Essa configuração pode afetar diretamente a oferta de alimentos para consumo interno. De acordo com o pesquisador, embora o consumidor nem sempre perceba esse impacto, a concentração de terras influencia a disponibilidade, a diversidade e até mesmo o preço dos alimentos encontrados nos supermercados. Além da disputa por áreas produtivas, a agricultura familiar enfrenta dificuldades relacionadas ao acesso ao crédito rural, à assistência técnica e às políticas públicas de incentivo.

Equilíbrio entre agronegócio e agricultura familiar

Os pesquisadores destacam que o objetivo do estudo não é defender a substituição de um modelo produtivo por outro. A principal conclusão é que o desenvolvimento do agronegócio pode coexistir com o fortalecimento da agricultura familiar, desde que haja planejamento territorial e políticas públicas capazes de reduzir as desigualdades no acesso à terra e aos recursos produtivos.

Para os autores, ampliar o apoio aos pequenos produtores é uma estratégia importante para promover sistemas alimentares mais sustentáveis, fortalecer a segurança alimentar e garantir maior diversidade de alimentos à população, sem comprometer o desenvolvimento econômico da região.

*Sob supervisão de Marcia Avanza

 


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