As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, anunciadas em julho de 2026, levaram a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) a intensificar sua estratégia de ampliar a presença das empresas nacionais em novos mercados.
Como parte dessa estratégia, a ApexBrasil anunciou, no dia 17 de julho, em entrevista coletiva realizada em Brasília, um plano de R$ 130 milhões, que será executado em parceria com 57 entidades representativas do setor produtivo nacional. O investimento será destinado a ações de promoção comercial, inteligência de mercado, defesa dos interesses dos exportadores brasileiros e abertura de novas oportunidades internacionais. O lançamento das primeiras iniciativas está previsto para o início de agosto.
Durante coletiva de imprensa, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que o plano combina o apoio imediato aos setores impactados pelas tarifas estadunidenses com medidas que ampliam a competitividade das empresas brasileiras no comércio internacional. Entre os setores impactados pela nova sobretaxa de 25%, estão o de móveis, calçados, máquinas e equipamentos.
“Nós vamos seguir firmes no trabalho que já realizamos nos Estados Unidos, apoiando empresas e entidades brasileiras, juntamente com empresas e entidades americanas, para ampliar a lista de produtos isentos. Também vamos intensificar as ações para aumentar a participação dos setores que ficaram livres das sobretaxas e fortalecer a diversificação de mercados”, afirmou Müller.
Tarifas causam menos impacto do que o previsto
Durante a coletiva, a ApexBrasil apresentou uma análise consolidada dos impactos da decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida decorre da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, instrumento utilizado pelo país para apurar e responder a práticas comerciais consideradas desleais.
A Agência informou que a decisão final do USTR ampliou de 615 para 699 o número de produtos brasileiros isentos da sobretaxa de 25%. De acordo com levantamento da Gerência de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, os itens contemplados pelas exceções responderam por 60,5% das exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025, o equivalente a US$ 22,8 bilhões, e permanecerão livres da tarifa adicional. Com isso, o valor das exportações potencialmente afetadas foi reduzido de US$ 9,4 bilhões para US$ 7,2 bilhões.
Entre os produtos incluídos na lista de isenção, destacam-se ferro fundido, pescados, couros, madeira, hidróxido de alumínio, mel, objetos de arte e determinados produtos plásticos. Segundo a ApexBrasil, a ampliação das exceções reflete, em parte, as contribuições apresentadas por empresas e entidades durante a consulta pública conduzida pelo governo dos EUA.
Apesar da ampliação da lista de isenções, uma parcela das exportações brasileiras continua sujeita à tarifa adicional, o que, segundo a Agência, reforça a necessidade de diversificar mercados, ampliar a inserção internacional dos produtos brasileiros e fortalecer a atuação institucional em defesa dos interesses dos exportadores.
Plataforma ajuda a avaliar as tarifas e identificar os novos mercados
Uma das primeiras medidas implementadas pela ApexBrasil foi o lançamento do Painel de Medidas Tarifárias dos EUA, plataforma gratuita que reúne informações atualizadas sobre as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros. A ferramenta permite que empresas consultem quais produtos estão sujeitos às tarifas, acompanhem a evolução das exportações bilaterais, acessem notas metodológicas e encontrem orientações para interpretar corretamente os dados.
Além de oferecer transparência sobre o cenário tarifário, o painel funciona como instrumento de inteligência comercial, auxiliando empresas na avaliação de riscos, no planejamento estratégico e na identificação de oportunidades em mercados alternativos.
Defesa comercial em Washington
Além da criação da plataforma, a ApexBrasil intensificou sua atuação na defesa dos interesses do setor produtivo brasileiro junto ao país norte-americano e capacitou representantes de cerca de 20 setores exportadores para participarem das consultas públicas promovidas pelo governo dos Estados Unidos, etapa em que empresas, associações e governos podem apresentar argumentos técnicos, solicitando a exclusão de produtos das listas de sobretaxas.
Dez desses setores também receberam consultoria especializada para elaborar estudos, documentos técnicos e manifestações a serem apresentadas durante as consultas públicas.
Segundo o presidente da ApexBrasil, esse trabalho continuará sendo desenvolvido em parceria com o setor produtivo brasileiro e com entidades empresariais dos EUA.
“Atuamos diretamente com cerca de 20 setores na elaboração dos materiais apresentados durante o processo da Seção 301, fornecendo inteligência comercial, dados técnicos e informações estratégicas. Vamos continuar trabalhando para ampliar as isenções e apoiar a diversificação dos mercados brasileiros”, reforçou Laudemir Müller.
Um dos principais resultados dessa estratégia foi obtido pelo setor de rochas ornamentais. Com o apoio da ApexBrasil, a Centrorochas, Associação Brasileira dos Exportadores de Rochas Naturais, argumentou tecnicamente pela retirada dos quartzitos brasileiros da lista inicial de produtos sobretaxados, preservando a competitividade do produto no mercado estadunidense. Agora, o setor busca ampliar esse resultado para granitos e mármores.
Impactos variam conforme o setor
O diagnóstico elaborado pela ApexBrasil, divulgado no dia 17 de julho, mostra que os efeitos das tarifas não são uniformes e dependem tanto do produto exportado quanto do grau de dependência do mercado estadunidense.
No cenário atual, 51,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, equivalentes a US$ 19,3 bilhões, permanecem isentas das principais medidas restritivas. Outros 24,9%, cerca de US$ 9,4 bilhões, estão sujeitos a sobretaxas entre 12,5% e 25%. Além disso, 20,2% das exportações continuam enquadradas nas restrições previstas pela Seção 232 da legislação dos EUA, aplicada a produtos considerados estratégicos para a segurança nacional, como aço e alumínio.
A exposição às medidas tarifárias estadunidenses também varia entre os setores. Enquanto açúcar e etanol destinam apenas uma pequena parcela de suas exportações aos Estados Unidos, produtos como mel natural, filés de tilápia e sebo bovino enviam mais de 80% de sua produção ao estadunidense, tornando-se mais vulneráveis às mudanças tarifárias.
Diversificação de mercados como estratégia
A diversificação de mercados tornou-se um dos principais eixos de atuação da ApexBrasil.
Em 2025, a Agência realizou mais de 80 ações de promoção comercial, incluindo rodadas de negócios, missões empresariais, participação em feiras internacionais e encontros com compradores estrangeiros, conectando cerca de 2.400 empresas brasileiras a novos mercados.
Os resultados já aparecem. Após a implementação das tarifas estadunidenses, 72% das empresas apoiadas pela ApexBrasil que exportavam para os Estados Unidos conquistaram pelo menos um novo mercado internacional.
A estratégia será ampliada com 142 ações direcionadas à União Europeia (UE), aproveitando as oportunidades abertas pelo acordo entre o Mercosul e o bloco europeu. As iniciativas incluem promoção comercial, aproximação entre empresas brasileiras e compradores da Europa, orientação sobre as regras do acordo e apoio para acesso ao mercado europeu.
Outro destaque é a expansão, para México e Canadá, do programa “Matchmaking on Demand”, que já atua em mercados selecionados das Américas do Sul e Central, África, Europa, Oriente Médio e Ásia. O programa identifica compradores internacionais interessados em produtos brasileiros e organiza reuniões de negócios personalizadas entre esses importadores e empresas nacionais.
A ApexBrasil também prevê a instalação de uma representação regional dedicada à América Central e ao Caribe para identificar oportunidades comerciais e ampliar a presença dos produtos brasileiros nesses mercados.
Novas oportunidades para as exportações brasileiras
Além de estratégias para reduzir os impactos das tarifas, a ApexBrasil avalia como o atual cenário internacional abre oportunidades para o comércio exterior brasileiro. O acordo entre Mercosul e União Europeia identificou 543 oportunidades de exportação que poderão se beneficiar da eliminação imediata de tarifas após a ratificação do tratado, com potencial adicional de US$ 1,1 bilhão em exportações de produtos como calçados, café solúvel e uvas.
Segundo Laudemir Müller, o cenário geopolítico também tem reforçado a imagem do Brasil como parceiro confiável para o comércio internacional. “O Brasil se mostra, neste momento, como um país estável, confiável e democrático. Em um ambiente internacional marcado por incertezas, os países buscam parceiros previsíveis para ampliar suas relações comerciais”, comentou.
Diversificação do comércio exterior brasileiro
Nas últimas décadas, tem-se observado diversificação de destinos na pauta exportadora brasileira. Em 2005, os Estados Unidos respondiam por 19,1% do total exportado pelo Brasil e eram o principal parceiro comercial de 17 estados brasileiros. Em 2025, essa participação caiu para 10,8%. Atualmente, apenas seis estados mantêm os EUA como principal destino de suas exportações.
Para a ApexBrasil, esse processo demonstra que ampliar mercados, fortalecer a inteligência comercial e apoiar a internacionalização das empresas brasileiras são estratégias fundamentais para aumentar a resiliência do comércio exterior nacional diante de um cenário cada vez mais dinâmico e competitivo.
[Conteúdo patrocinado pela ApexBrasil.]
