Moçambique quer firmar parcerias para formar policiais e cooperar em segurança

23/07/2026 às 12:000 visualizações
Maputo, Moçambique
Maputo, Moçambique
Foto: Pnud Moçambique/Cynthia R Matonhodze / ONU Noticias
Moçambique quer firmar parcerias para formar policiais e cooperar em segurança
Por Monica Grayley*
23 Julho 2026 Assuntos da ONU

Ministro do Interior do país africano de língua portuguesa, Paulo Chachine, fala à ONU News sobre a importância da troca de inteligência num mundo cada vez mais conectado e exposto a crimes cibernéticos e outros delitos; formação de novos quadros pode gerar reentrada de Moçambique na área de manutenção de paz da ONU pelo mundo, no futuro.

No início deste mês, as Nações Unidas em Nova Iorque abrigaram um Encontro de Alto Nível dos Chefes de Polícia dos Estados-membros da organização. 

A Quinta Cimeira da Polícia ou UNCops 2026 reuniu também representantes regionais e ministros de Estado da área para fortalecer a cooperação em paz, segurança e desenvolvimento além de discutir o papel do policiamento da ONU em missões de paz espalhadas pelo mundo.

Sucesso e informação

Um desses representantes foi o ministro do Interior de Moçambique, Paulo Chachine. Nesta entrevista à ONU News, ele afirmou que no mundo moderno e de complexos desafios, a cooperação é mais crucial do que nunca para o sucesso das forças policiais.

“A informação e a inteligência devem ser partilhadas por todos os países. Para o benefício dos países, para o benefício do combate à criminalidade. Então, a sabedoria e o conhecimento devem ser partilhados por todos. E isto passa também por aspectos de formação. E esta informação também tem de ser equitativa, tem de ser partilhada.” 

A reunião na sede da ONU ofereceu um panorama dos desafios de segurança em vários continentes e como lideranças da área devem participar de uma rede que possa atuar, com o apoio da ONU, mutuamente. 

Segundo o ministro Chachine é preciso ter mais integração e cooperação direta,  sem esquecer da  atualização da tecnologia sem a qual os serviços de inteligência e de polícia não podem funcionar.

Criminalidade mudou 

“As polícias precisam de ser equipadas. As polícias precisam de ter informação a todo momento para efetivamente cumprirem com sua missão. Mas o fundamental nisto, é a necessidade de uma ação coordenada dos países, uma ação conjunta no combate à criminalidade.”

Segundo o ministro Chachine, o acesso aos recursos não é igual para todos e alguns países têm mais recursos que outros. Para o chefe da pasta do Interior, nenhum país sozinho pode fazer este trabalho sendo necessário uma troca de informações. 

Chachine lembra que a criminalidade atual não é mais a de alguns anos atrás. Com aumento de crimes cibernéticos e outros eventos recentes, é preciso se adaptar e preparar as forças policiais para essas novas realidades e o mais importante é dar seguimento ao que é tratado em cimeiras internacionais.

Ação e discursos

“Não basta nós dizermos: ‘sim, vamos trabalhar juntos, vamos fazer isso’. O mais importante é pormos na prática aquilo que falamos, é pormos na prática aquilo que discutimos. É pormos na prática aquilo que prometemos fazer.”

O ministro citou como exemplo de operações conjuntas e de inteligência na África, o trabalho da Sadc, a Comunidade para Desenvolvimento dos Países do Sul da África. A organização realiza encontros da região com troca de informações entre as polícias, uma vez que muitos crimes e casos criminosos que afetam o sul da África “vêm de longe”.

Um bom exemplo de cooperação ocorre na língua comum, o português, como indicou o ministro do Interior de Moçambique, Paulo Chachine. Para ele, ter documentos no mesmo idioma ajuda, mas não resolve todo o quadro de desafios.

Pnud Moçambique/Cynthia R Matonhodze Maputo, Moçambique
Pnud Moçambique/Cynthia R Matonhodze Maputo, Moçambique
Pnud Moçambique/Cynthia R Matonhodze Maputo, Moçambique

Ao ser perguntando do que seu país precisa, o ministro Paulo Chachine foi direto:

Quadros formados e crimes comuns

“Neste momento, o que Moçambique precisa é formação. É técnica. É equipamento. É isto que Moçambique precisa. Nós precisamos é de formação (treinamento). Precisamos de ter polícias formados. Precisamos de ter os quadros formados ao nível dos outros países. É o que nós precisamos mais neste momento. E esta formação vai permitir entender melhor os fenômenos que acontecem não apenas em Moçambique, não apenas na África, mas no mundo.”

Segundo o Instituto Nacional de Estatística de Moçambique a criminalidade baixou de 2020 a 2024 passando de 16.624 casos notificados para 11.798. Ainda segundo o governo, neste período mais de 86% dos casos de crimes foram esclarecidos pela polícia.

Na categoria de crimes, delitos contra o patrimônio e patrimônio em geral são a maioria dos casos seguidos por crimes contra a pessoa. A Cidade de Maputo continua sendo o maior palco desses crimes seguida pelas províncias de Maputo e Gaza.

Português, Timor-Leste e operações de paz

Ainda sobre a formação e cooperação, o ministro do Interior Paulo Chachine contou que os policiais moçambicanos aprendem inglês e outras línguas para facilitar o intercâmbio com seus pares em outros países.

O líder da pasta do Interior também disse que Moçambique, que já teve uma Missão de Paz da ONU, tem planos de cooperar no futuro com a área de manutenção da paz das Nações Unidas como o fez em Timor-Leste. Mas para ele, tudo dependerá da capacidade de formação de seus policiais em casa.

*Monica Grayley é editora-chefe da ONU News Português.

Fonte
ONU Noticias
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