Marisa Midori resgata “Mendel, o Livreiro”

24/07/2026 às 19:560 visualizações
Marisa Midori - Foto: Arquivo pessoal
Marisa Midori - Foto: Arquivo pessoal
Jornal da USP
🎙 Redação · Jornal da USP

A colunista fala, esta semana, de uma pequena e bela novela escrita por Stefan Zweig. Passada, na Primeira Guerra Mundial, a história conta a trajetória do alfarrabista que vê seu mundo de livros ruir durante o conflito

 Publicado: 24/07/2026 às 16:56

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Esta semana, a professora Marisa Midori resgata uma pequena joia literária em sua coluna. “Li nesta semana uma novela linda, de Stefan Zweig, intitulada Mendel, o Livreiro, ou Buchmendel, como foi publicada, em folhetim, em 1929, no jornal vienense Neue Freie Presse. Li a novela na edição que a Arte e Letra, uma editora de Curitiba, acaba de publicar. Pequeno volume precioso, encadernado em tecido verde, que apresenta de forma nobre esse mundo tão peculiar de um livreiro imerso no seu próprio mundo”, comenta, de início, a colunista. “Bem, o personagem central, como indica o título, é o alfarrabista Jakob Mendel, um judeu galiciano, maltrapilho e excêntrico, que passava seus dias sentado à mesma mesa do Café Gluck, na velha Viena, balançando o corpo continuamente enquanto lia e catalogava os livros”, conta a professora. “Quando aparecia um cliente, não raro professores e alunos universitários, Mendel exibia sua memória prodigiosa. Conhecia os livros por seus dados catalográficos, nada lhe escapava: título, autor, editora, data de publicação, preço e, o mais importante, onde encontrar exemplares raros. Vociferava contra bibliotecários displicentes e não admitia desconfianças por parte de sua clientela. Mendel era mais do que um alfarrabista, ele era um catálogo ambulante”, acrescenta ela.

Como conta a colunista, a novela se passa justamente no início da Primeira Guerra Mundial e como Mendel era de origem russo-polonesa, ele seria visto como um inimigo do Estado. Só que o alfarrabista não se apercebe disso e só quando vai para um campo de prisioneiros é que se dá conta do risco ao seu redor e que seu mundo desmoronou. “Sem querer dar spoiler, devo ainda dizer que o narrador desempenha um papel central nessa trama. Afinal de contas, entre ele e o livreiro existe uma ligação frágil, que só pode ser estabelecida no fio da memória. A memória do jovem estudante que adentra o café passados dez anos do início da Guerra e só muito lentamente estabelece a ligação entre os cômodos daquele estabelecimento já bastante mudado e o livreiro com a memória prodigiosa que conhecera”, conta Marisa Midori. “E a memória do livreiro, que tanto chamou a atenção da comunidade universitária, mas que após o trauma da Guerra já não era mais a mesma. Como o mundo não era mais o mesmo. Essa perda de vínculo com um passado que se rompeu violentamente se transfere para o pequeno mundo de Mendel, cuja memória era uma extensão dos livros, naquele velho café”, finaliza a professora.

Bibliomania

Com o Profa. Marisa Midori

A coluna Bibliomania, com a professora Marisa Midori, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ), com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.


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Fonte
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