Férias sem excesso de telas: desafio exige limites e alternativas para as crianças

Por Sandra Capomaccio24/07/2026 às 17:430 visualizações
Menino pequeno, pele clara, com o perfil esquerdo à mostra em um ambiente escuro; tem o rosto iluminado pela tela de um celular, no qual está mexendo
Menino pequeno, pele clara, com o perfil esquerdo à mostra em um ambiente escuro; tem o rosto iluminado pela tela de um celular, no qual está mexendo
Foto: Stefan AMER / Jornal da USP
🎙 Sandra Capomaccio · Jornal da USP

Daniel Cara afirma que o equilíbrio entre tecnologia, lazer e convivência é essencial e defende mais políticas públicas para ampliar as opções de atividades durante o recesso escolar

 Publicado: 24/07/2026 às 14:43
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Professor orienta que quanto mais jovem for a criança, menor deve ser o tempo de exposição às telas –
Professor orienta que quanto mais jovem for a criança, menor deve ser o tempo de exposição às telas – — photoroyalty via Freepik
Professor orienta que quanto mais jovem for a criança, menor deve ser o tempo de exposição às telas – Foto: photoroyalty via Freepik
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As férias de julho representam um desafio para muitas famílias. Com a mudança da rotina e os pais trabalhando, celulares, tablets e televisão acabam ocupando boa parte do dia das crianças. Mas, segundo especialistas, é possível reduzir o tempo de exposição às telas por meio de limites, organização da rotina e incentivo a atividades de convivência e lazer.

De acordo com o professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação (FE) da USP, as telas já fazem parte do cotidiano de crianças e adolescentes e dificilmente deixarão de estar presentes. O mais importante é evitar a superexposição, estabelecendo horários para o uso dos dispositivos. “Quanto mais jovem for a criança, menor deve ser o tempo de exposição às telas”, orienta.

Brincadeiras e interação são fundamentais na primeira infância

Daniel Cara – Foto: Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Wikimedia Commons/CC BY 2.0
Daniel Cara – Foto: Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Wikimedia Commons/CC BY 2.0
Daniel Cara – Foto: Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Wikimedia Commons/CC BY 2.0

Para as crianças menores, especialmente entre 2 e 7 anos, o especialista destaca a importância do movimento, das brincadeiras e da interação com outras crianças. Sempre que possível, ele recomenda recorrer à rede de apoio formada por familiares e amigos para organizar passeios a parques, praças e outros espaços ao ar livre.

Segundo Daniel Cara, essa convivência é essencial para o desenvolvimento infantil e ajuda a reduzir naturalmente o tempo dedicado aos dispositivos eletrônicos.

Alternativas variam conforme a idade e a realidade das famílias

Para crianças entre 6 e 10 anos, existem opções como colônias de férias, atividades recreativas, oficinas e cursos. No entanto, o professor ressalta que essas alternativas nem sempre são acessíveis, especialmente para famílias de baixa renda.

Nesses casos, ele recomenda estimular brincadeiras em casa ou no bairro, favorecendo o contato com outras crianças e atividades que contribuam para o desenvolvimento cognitivo e social.

Entre os adolescentes, que possuem maior autonomia, o desafio passa a ser o uso consciente da tecnologia. O educador defende que as regras adotadas durante o período letivo sejam mantidas nas férias, com horários definidos para o uso das telas e acompanhamento dos pais sobre os conteúdos acessados, sempre respeitando a realidade de cada família.

Políticas públicas podem ampliar as oportunidades de lazer

Além das orientações às famílias, Daniel Cara afirma que o período de férias também exige maior participação do poder público. Para ele, os pais não devem se sentir culpados por não conseguirem ocupar todo o tempo livre dos filhos, mas cobrar políticas públicas que ampliem a oferta de atividades culturais, esportivas e recreativas durante o recesso escolar.

Segundo o professor, as férias são um período de descanso, mas também representam uma oportunidade para fortalecer a convivência familiar, estimular a curiosidade e promover experiências importantes para o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes. Com planejamento e pequenas mudanças na rotina, é possível equilibrar o uso da tecnologia com atividades que favoreçam a socialização e o aprendizado.


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