A plataformização da agricultura está transformando a forma como as decisões no campo são tomadas, comenta Luli Radfahrer na coluna desta semana. Ele explica que, em vez de depender apenas da experiência de agrônomos, produtores rurais utilizam plataformas digitais, inteligência artificial, sensores, drones e máquinas autônomas para definir plantio, irrigação e uso de insumos, aumentando a produtividade e reduzindo custos.
No entanto, essa modernização cria uma dependência tecnológica: ao armazenar anos de informações sobre a propriedade em uma plataforma, o agricultor passa a ter dificuldades para trocar de fornecedor, fenômeno conhecido como lock in tecnológico. Além disso, o conhecimento agronômico fica concentrado nas empresas que controlam esses sistemas, tornando as fazendas mais vulneráveis a falhas, ataques cibernéticos e mudanças nas políticas das plataformas.
Grandes empresas como John Deere, Bayer, Microsoft e IBM ampliam sua atuação no agronegócio ao oferecer soluções digitais integradas. Enquanto os grandes produtores conseguem aproveitar os ganhos de eficiência e sustentabilidade, os pequenos agricultores enfrentam dificuldades para arcar com os altos custos da tecnologia, o que pode ampliar a concentração de terras e aumentar a desigualdade no campo. O debate reforça que, embora a inovação traga benefícios, seu uso é guiado principalmente por interesses econômicos e exige atenção aos impactos sociais e ambientais.
Datacracia
Com o Prof. Luli Radfahrer
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ), com produção da Rádio USP Jornal da USP e TV USP.






