Teste rápido de baixo custo identifica “superbactérias” em intestino e otimiza isolamento na UTI

24/07/2026 às 11:300 visualizações
O teste rápido é semelhante aos de farmácia e detecta as superbactérias em apenas seis horas - Foto: katemangostar/Magnific
O teste rápido é semelhante aos de farmácia e detecta as superbactérias em apenas seis horas - Foto: katemangostar/Magnific
Foto: Goncalo Costa / Jornal da USP
Teste rápido de baixo custo identifica “superbactérias” em intestino e otimiza isolamento na UTI

Conjunto de estudos demonstra como inovação reduz tempo de diagnóstico laboratorial em até 60 horas

 Publicado: 24/07/2026 às 8:30

Texto:

Redação

O teste rápido é semelhante aos de farmácia e detecta as superbactérias em apenas seis horas -
O teste rápido é semelhante aos de farmácia e detecta as superbactérias em apenas seis horas - — katemangostar/Magnific
O teste rápido é semelhante aos de farmácia e detecta as superbactérias em apenas seis horas - Foto: katemangostar/Magnific

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP desenvolveram e validaram uma estratégia inovadora e de baixo custo capaz de detectar a presença de “superbactérias” no intestino de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

A abordagem utiliza um teste rápido semelhante aos testes de farmácia (como os de covid-19 ou gravidez), chamado teste imunocromatográfico (ICT). Os resultados mostram que a nova técnica consegue identificar os pacientes carregando esses microrganismos em apenas seis horas, reduzindo o tempo de diagnóstico tradicional em até 60 horas e gerando grande economia aos cofres públicos.

Matias Salomão –
Matias Salomão – — Arquivo Pessoal
Matias Salomão – Foto: Arquivo Pessoal

Segundo o professor colaborador da FMUSP Matias Chiarastelli Salomão, um dos autores dos estudos, o teste rápido validado pelo grupo funciona como uma ferramenta democrática de controle de infecção. “Ele oferece a velocidade de um teste molecular caro, mas por uma fração do preço e sem necessidade de máquinas complexas. Isso abre as portas para que qualquer hospital público ou laboratório com recursos limitados no Brasil e no mundo consiga identificar pacientes portadores de forma precoce, economize recursos retirando isolamentos desnecessários e proteja os pacientes internados”, afirma.

Embora o teste rápido melhore o fluxo dos hospitais e reduza gastos com isolamentos desnecessários, os pesquisadores alertam que o controle definitivo dessas superbactérias em ambientes de alta prevalência exige um cuidado contínuo que vai além do isolamento. Medidas como o uso correto e controlado de antibióticos por parte dos médicos e os cuidados rígidos com a higiene são fundamentais para conter o avanço do problema.

Método convencional

O grande problema atual é que o método convencional, baseado no cultivo das bactérias em laboratório (cultura), demora de dois a três dias para liberar o resultado. Enquanto esperam, os pacientes precisam ficar em isolamento preventivo individual, utilizando aventais e luvas descartáveis para evitar o contágio. Isso gera um desperdício massivo de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), sobrecarrega as equipes de enfermagem e estressa o paciente isolado sem real necessidade. Testes genéticos moleculares (como o PCR) são rápidos e precisos, mas são caros e exigem equipamentos complexos, o que os torna inviáveis para a maioria dos hospitais públicos.

Para resolver esse impasse, o grupo de pesquisadores validou e aplicou uma rotina na qual a amostra do paciente (coletada via swab retal) é colocada em um caldo nutritivo por apenas seis horas e depois aplicada diretamente no teste rápido.

Superbactérias

As chamadas Enterobactérias Resistentes a Carbapenêmicos (ERC) são classificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das ameaças globais mais críticas à saúde humana. Trata-se de bactérias intestinais comuns que desenvolveram resistência aos antibióticos mais potentes do mercado (os carbapenêmicos), principalmente pela produção de enzimas destruidoras de remédios (as carbapenemases). No Brasil, infecções generalizadas (sepse) causadas por ERC chegam a registrar uma taxa de mortalidade de até 63,8%.

Muitos pacientes carregam essas bactérias no intestino sem apresentar nenhum sintoma – o que a medicina chama de “colonização”. No entanto, eles podem transmiti-las silenciosamente para outros pacientes vulneráveis dentro do ambiente hospitalar ou desenvolver infecções graves posteriormente. Por isso, os hospitais realizam exames de triagem na admissão das UTIs.

Os artigos Admission status is not destiny: serial surveillance reveals ecologic and in-hospital drivers of carbapenem-resistant Enterobacterales colonization in critical care e Impact of rapid carbapenemase detection using immunochromatographic testing and polymerase chain reaction on carbapenem-resistant enterobacterales acquisition and infection control in two intensive care units foram publicados no Journal of Hospital Infection.

Rapid screening for carbapenemase-producing carbapenem-resistant Enterobacterales: clinical implementation of an immunochromatographic test using broth-enriched rectal swab está no periódico Microbiology Spectrum.

E Validation of immunochromatographic test in broth-enriched rectal swab specimens pode ser acessado no Brazilian Journal of Infectious Diseases.

*Da Assessoria de Imprensa da FMUSP. Adaptado para o Jornal da USP


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