Famílias permanecem acampadas em área da União no DF após adiamento de despejo

Por Kennedy Cruz24/07/2026 às 20:110 visualizações
Mobilização das famílias garantiu novo prazo para continuidade das negociações.
Mobilização das famílias garantiu novo prazo para continuidade das negociações.
Brasil de Fato

As cerca de 600 famílias que ocupam uma área da União em São Sebastião, região administrativa do Distrito Federal, permanecem no acampamento Leidiane Ribeiro após o despejo previsto para esta sexta-feira (24) ter sido adiado. De acordo com o Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), a mobilização dos moradores e o diálogo com parlamentares garantiram mais cinco dias para a continuidade das negociações.

O anúncio foi feito durante uma assembleia realizada no acampamento com a presença dos deputados distritais Ricardo Vale (PT) e Gabriel Magno (PT), que acompanham as tratativas desde o início da ocupação.

Em publicação nas redes sociais, o movimento anunciou que conseguiu impedir o despejo previsto para esta sexta. “Conseguimos derrubar o despejo administrativo que estava previsto para ocorrer hoje. Através da nossa garra, conquistamos mais cinco dias para seguir articulando e resistindo, até conseguir nossos objetivos”, diz a nota.

Ao Brasil de Fato DF, o deputado Gabriel Magno ressaltou a mobilização das famílias e das negociações entre parlamentares, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e o Governo do Distrito Federal. “Conseguimos adiar o despejo violento que estava previsto para hoje. É uma importante vitória da mobilização social e da articulação para evitar uma ação truculenta contra os moradores da ocupação, que estão em situação de vulnerabilidade”, disse.

Magno informou que, durante a reunião de mediação, foram discutidos o histórico e a destinação da área, além da interlocução com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF). De acordo com o parlamentar, a pasta emitiu o Ofício nº 90/2026 à SPU formalizando o cancelamento das atividades de desocupação coercitiva programadas para esta sexta.

“A decisão liminar continua vigente, mas o cumprimento coercitivo imediato foi suspenso para dar mais tempo às famílias. Ficou acertado que a Polícia Militar e o DF Legal não farão nenhuma entrada abrupta antes da citação formal de todas as partes. O prazo para saída voluntária foi estendido para cinco dias, contados a partir dessa citação oficial, o que nos dá um respiro fundamental para avançar nas negociações”, afirmou.

Novo prazo para diálogo

Ricardo Vale, que também participou das negociações, destacou que a suspensão da operação abre uma nova etapa de diálogo com o governo federal. “Com a suspensão do despejo, abre-se um novo prazo para que, por meio do diálogo institucional com o governo federal, especialmente com a SPU, seja encontrada uma solução definitiva para as famílias que ocupam a área”, declarou.

O movimento voltou a cobrar uma posição da União e defendeu que o imóvel seja destinado à habitação de interesse social. “A Secretaria do Patrimônio da União, proprietária do imóvel, precisa parar de se acovardar e impedir a grilagem de terras que tem ocorrido nesse imóvel público. As famílias precisam permanecer na terra até que se tenha uma solução definitiva e o imóvel não seja mais grilado”, afirmou o MNLM.

A ocupação teve início no último dia 18 e reúne famílias que reivindicam a destinação da área para habitação de interesse social. Na última quinta-feira (23), a Justiça do Distrito Federal concedeu liminar de reintegração de posse, estabelecendo prazo para a desocupação voluntária. A decisão continua válida, mas o cumprimento coercitivo foi suspenso para garantir a citação formal das partes e ampliar o prazo para as negociações.

O outro lado

O Brasil de Fato DF procurou a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para comentar as negociações e esclarecer o papel do órgão na mediação, mas até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.


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Fonte
Brasil de Fato
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