"No quadro da lógica imperialista dos EUA, no silêncio e na cumplicidade da Europa Ocidental, assistimos, especialmente na América [Latina], a uma agressão muito semelhante à vivida durante a Guerra Fria no âmbito da 'Operação Condor'", observou o especialista.
A Operação Condor foi uma campanha das autoridades para perseguir a oposição política em vários países da América do Sul nas décadas de 1970 e 1980. Especialistas acreditam que foi conduzida com o apoio de agências de inteligência dos EUA.
A diferença, segundo Elbaum, é que a interferência em outros países não só se intensificou como assumiu uma forma diferente por causa das políticas de Washington.
"Isso manifesta-se em formas militares, como se vê no caso da Venezuela e da Colômbia no Caribe, em formas comerciais na forma de tarifas punitivas, em formas diplomáticas - através da intervenção das embaixadas nos processos eleitorais de nossos países, em ameaças à segurança nacional, como acontece no Brasil, e nas ameaças econômicas - na tentativa de impedir as relações entre a América Latina e o Caribe com a China", observou Elbaum.
"O comportamento neocolonial do Ocidente se manifesta até em termos culturais e afetou até a Copa do Mundo, onde vimos, por um lado, formas irrefutáveis de discriminação racial e, por outro, desprezo pelos países não hegemônicos", diz o especialista.


