Como núcleos de pesquisa no Brasil levam universidades para além do Ocidente? Professores explicam

24/07/2026 às 13:380 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
Nesse cenário, constroem-se pontes por meio do diálogo e de estudos elaborados por grupos que atuam nos campi universitários, como na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. A Sputnik Brasil conversou com Jonnas Vasconcelos, professor da instituição e coordenador do Centro de Pesquisa BRICS+ (NEPBRICS), que implementou uma iniciativa que surge como alternativa ao eixo eurocêntrico na formação dos estudantes.

"Venho trabalhando com a temática do BRICS há quase 15 anos e, em 2021, tomei a iniciativa de reunir pesquisadores e estudantes interessados na cooperação Sul-Sul, para pensar o direito, o desenvolvimento e as relações internacionais a partir de uma perspectiva não colonial, ou seja, pensar os nossos desafios globais a partir de outros olhares. E a temática do BRICS dialoga muito com isso", disse.

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Já na região Sul do país, em Florianópolis, a reportagem entrevistou Fred Leite Siqueira Campos, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Rússia (PRORUS), que fundou por demanda de seus alunos.

"Alguns de meus alunos do curso de relações internacionais entraram na minha sala e, quando viram a bandeira da Rússia na minha mesa na universidade, me perguntaram: 'Por que o senhor não constrói um grupo de pesquisa? Porque aqui existem muitas pessoas que gostam da Rússia.' Então foi assim que surgiu o grupo [PRORUS], que existe desde 2014 e vem atuando de maneira bastante profícua na universidade", comenta.

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Atividades que ultrapassam os muros das faculdades

Paralelamente às discussões e produções acadêmicas, o NEPBRICS promove atividades que extrapolam o campo teórico. O núcleo realiza eventos importantes, como a projeção de filmes produzidos nos países que compõem o grupo, voltada para jovens, acompanhada de cinedebate, conforme detalha Jonnas.

"Infelizmente, temos muito desconhecimento das culturas dos povos de países fora do eixo Europa e EUA. Então, por meio do cinema misturado com debate, fazemos uma articulação com estudantes bem jovens, de 12 e 14 anos, para formar uma nova geração de pessoas que conheçam um pouco de cada um desses países a partir da produção cinematográfica dos próprios países. Isso faz parte do NEPBRICS", destaca.

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O PRORUS também acaba sendo um elo entre o Brasil e a Rússia, uma vez que mantém diálogo com pesquisadores do país e coordena convênios com universidades russas, inclusive para o ensino do idioma aos alunos, como elucida Fred.

"Estamos acertando um convênio com a Universidade Estatal de São Petersburgo para o ensino da língua russa na UFSC, intercâmbio de colegas russos no Brasil e de alunos brasileiros na Rússia. Por causa do PRORUS, coordeno convênios de cooperação entre a UFSC e a Universidade de Rostov-on-Don e já conversei com colegas de Kazan e de Moscou. Enfim, isso acabou acontecendo naturalmente", observa.

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Panorama internacional
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Intercâmbio internacional acontece com frequência

Outro ponto levantado por Jonnas é a BRICS+ Salvador Summer School, um curso de verão sediado anualmente na capital baiana, organizado pelo NEPBRICS, que reúne pesquisadores de diversas nações interessados em apresentar e aprofundar seus conhecimentos sobre assuntos referentes ao BRICS e ao Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).

"A Summer School, voltada exclusivamente para a temática BRICS, é um projeto pioneiro aqui na Bahia, e eu diria até no Nordeste do Brasil. Na primeira Summer School [em 2025], recebemos candidaturas de mais de 20 países para virem a Salvador e ficarem mais de 20 dias aqui. Eu visualizo que existem mudanças acontecendo no campo da juventude e da universidade, mas que ainda estão ganhando seu espaço", pontua.

Com o avanço das pesquisas sobre a Rússia em diversos segmentos econômicos e políticos, entre outras áreas do saber, Fred relata que tais investigações despertam nos estudantes integrantes do PRORUS o desejo de conhecer o país investigado in loco.

"Hoje, no PRORUS, temos colegas russos, brasileiros e até pessoas de fora da universidade. Nosso principal objetivo é prover um estudo sobre a Rússia em amplo aspecto, desde economia, filosofia, relações internacionais etc. Eu já perdi as contas, sinceramente, de quantos alunos que participaram do PRORUS já foram para a Rússia e desenvolveram atividades lá", conclui.

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Em um mundo cada vez mais multipolar, além das relações na ordem política e econômica, entre outros setores vitais para a soberania de um Estado, a cooperação técnico-científica se torna imprescindível, sobretudo no contexto de uma transição sistêmica na qual a cooperação fora da esfera governamental também se torna fundamental.
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Sputnik Brasil
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