Em uma ofensiva coordenada que atinge simultaneamente a soberania econômica e a integridade institucional do Brasil, o governo de Donald Trump intensificou as pressões contra o país. De forma inédita, o Departamento de Estado estadunidense planeja enviar nos próximos dias funcionários de alto escalão a Brasília com o objetivo de lançar dúvidas sobre a lisura e a integridade do sistema eleitoral brasileiro, antes do pleito presidencial marcado para 4 de outubro.
A manobra de Trump, revelada originalmente pelo jornal The Washington Post, prevê a viagem dos nomeados políticos Riley M. Barnes e Samuel Samson. Este segundo é conhecido na diplomacia por percorrer diversos países, promovendo pautas ultraconservadoras e estreitando laços com grupos da direita.
A suspeita de autoridades brasileiras é de que os emissários busquem se reunir com setores céticos das urnas eletrônicas para elaborar um relatório político voltado exclusivamente a deslegitimar o sistema eleitoral do país.
Após a notícia, diplomatas do governo brasileiro teriam classificado a movimentação como uma manobra completamente incompatível com a democracia brasileira. Essa intromissão estadunidense faz parte de uma postura mais agressiva de Trump na América Latina, caracterizada pelo apoio direto a lideranças de direita na região, como o presidente argentino Javier Milei.
A investida de Washington alimentaria diretamente as narrativas golpistas de setores da oposição brasileira. Recentemente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro reproduziu ataques já desmentidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para questionar a integridade das urnas eletrônicas.
Essa pressão ocorre em paralelo ao tarifaço promovido de forma unilateral pela Casa Branca. Nesta semana, entrou em vigor a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre as exportações brasileiras sob a alegação estadunidense de suposto uso de trabalho forçado no Brasil. Essa nova taxação se acumula a uma tarifa de importação de 25% já implementada pelos EUA, gerando um “duplo tarifaço” que ataca a competitividade da indústria nacional.
Para piorar o impacto à economia do país, o governo de Trump decidiu beneficiar 13 nações concorrentes com listas de isenções extras das novas tarifas, isolando o Brasil comercialmente. Enquanto o mercado brasileiro ficou retido no grupo de tarifa cheia, economias vizinhas ou alinhadas à Casa Branca, como Argentina, Equador, Malásia, Reino Unido e União Europeia, obtiveram listas adicionais de exceção.
O governo brasileiro contesta as acusações que basearam o tarifaço. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as sanções unilaterais como “desproporcionais e injustas”, lembrando que o Brasil é uma referência global consolidada no combate ao trabalho escravo.
