O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou neste sábado (25) um ataque atribuído à Ucrânia contra um navio mercante iraniano no mar Cáspio. Segundo Teerã, a ofensiva provocou uma explosão a bordo, matou um tripulante e deixou outra pessoa ferida.
A reação ocorreu após Vladimir Zelensky, anunciar que as Forças Armadas ucranianas realizaram ataques de longo alcance contra embarcações no mar Cáspio.
O mar Cáspio está localizado a mais de 1.000 quilômetros do território controlado por Kiev. Segundo Zelensky, as embarcações atingidas participavam da logística de envio de cargas militares iranianas para Moscou, reforçando a cooperação entre os dois países durante a guerra.
Em comunicado, a chancelaria iraniana classificou o ataque ao navio como uma violação do artigo 2, parágrafo 4 da Carta das Nações Unidas e um ato de agressão que pode ampliar a guerra e a insegurança na região. O governo iraniano afirmou ainda que a ofensiva representa "uma perigosa tentativa de provocar uma guerra e semear o caos".
O governo iraniano reiterou que "nunca interveio no conflito entre Rússia e Ucrânia" e pediu ao Conselho de Segurança da ONU, aos países europeus e aos demais Estados-membros das Nações Unidas que condenem o episódio. Para o Irã, ao atacar uma embarcação mercante iraniana, a Ucrânia "não apenas cometeu uma violação do direito internacional, mas também tentou, de forma perigosa, alimentar a guerra e a instabilidade".
Na nota, Teerã responsabilizou "o regime ucraniano, seus apoiadores e seus instigadores" pelo ataque, que chamou de "temerário". O Irã acrescentou que "não hesitará em defender seus interesses nacionais e sua segurança" em conformidade com o direito internacional, incluindo o princípio da legítima defesa, e advertiu que as consequências do que chamou de "aventurismo" do governo ucraniano recairão sobre Kiev e seus aliados.
Não é a primeira vez que Kiev afirma atingir embarcações ligadas à rota logística entre Irã e Rússia no mar Cáspio. Em dezembro do ano passado, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) informou ter atacado dois navios sancionados pelos Estados Unidos por supostamente transportar cargas militares entre os dois países.


