Ucrânia tem novo alvo na Rússia: entenda os ataques contra rede Wildberries

Por Serguei Monin26/07/2026 às 15:200 visualizações
Incêndio nos complexos logísticos da empresa russa de comércio eletrônico Wildberries, na cidade de Elektrostal, nos arredores de Moscou, em 18 de julho de 2026
Incêndio nos complexos logísticos da empresa russa de comércio eletrônico Wildberries, na cidade de Elektrostal, nos arredores de Moscou, em 18 de julho de 2026
Brasil de Fato

A Ucrânia realizou um grande ataque na região de São Petersburgo na madrugada da última sexta-feira (24), atingindo armazéns da rede russa de comércio eletrônico Wildberries. No sábado (25), um incêndio em um depósito da empresa foi deflagrado na região de Ekaterinburgo após nova tentativa de ataque ucraniano.

De acordo com as autoridades locais, um incêndio começou em um estacionamento no distrito de Chkalovsky, em Ekaterimburgo, devido à queda de “detritos de um drone”, mas o fogo foi controlado. “Instalações econômicas e de infraestrutura não foram danificadas, as pessoas foram evacuadas e não houve feridos”, informou o governador da região de Sverdlovsk, Denis Pasler.

Os ataques da última semana revelam uma nova tendência nos alvos dos drones ucranianos em regiões russas. No total, desde o dia 18 de junho, Kiev realizou cinco ataques de grande escala com drones atingindo depósitos da maior rede varejista da Rússia. nas regiões de Moscou, Tambov, Krasnodar, Krai de Stavropol, Leningrado, São Petersburgo, Voronezh e na Crimeia.

Pelo menos nove pessoas já morreram e cerca de 100 ficaram feridas em decorrência do ataque da Ucrânia aos armazéns da Wildberries. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alega que os depósitos são “alvos militares legítimos” responsáveis por distribuir componentes e equipamentos de drones para o Exército russo.

O Kremlin, por sua vez, negou as alegações da Ucrânia de que os centros de logística da Wildberries estariam sendo usados para abastecer o exército russo. O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, classificou essas alegações como falsas, enfatizando a natureza civil das instalações.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o cientista político russo, Ivan Mezyukho, aponta que os ataques da Ucrânia nos depósitos da Wildberries “possuem uma série de motivações”, mas, acima de tudo, segundo ele, o objetivo de Kiev é “tentar criar condições de vida complicadas em regiões pacíficas da Federação Russa, tentando fazer todo o possível para influenciar a opinião pública do país”.

O analista reitera a versão do Kremlin sobre a natureza dos depósitos da rede Wildberries, afirmando que “os armazéns em questão não são um alvo militar e não são usados pelas Forças Armadas Russas como algum tipo de ponto de trânsito”. “São instalações de infraestrutura comercial usadas diretamente pela população civil”, completa.

Os incêndios nos armazéns danificaram dezenas de milhares de mercadorias pertencentes a pequenas e médias empresas que revendem pela Wildberries. De acordo com estimativas preliminares, os prejuízos causados pelo ataque ultrapassarão 50 bilhões de rublos (cerca de R$ 3,2 bilhões), sendo que até 15% dos armazéns da empresa podem ter sido danificados.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reconheceu que os ataques podem causar grandes prejuízos. “Em relação à empresa mencionada, a situação é de fato difícil devido aos prejuízos sofridos tanto pela própria empresa quanto pelas pequenas e médias empresas. O governo está cuidando do assunto”, disse a repórteres.

De acordo com o cientista político Ivan Mezyukho, os esforços da Ucrânia em desestabilizar a Rússia internamente também estão ligados à aproximação das eleições parlamentares no país, que ocorrerão em 20 de setembro.

“Por que a Ucrânia está tentando influenciar a opinião pública em nosso país? Para aumentar artificialmente o sentimento de protesto antes das eleições para a Duma Estatal da Assembleia Federal da Federação Russa, que ocorrerão em setembro deste ano, os ataques contra a Wildberries devem certamente ser considerados no contexto dos preparativos da Ucrânia para as eleições e potenciais negociações com a Federação Russa”, afirmou.

“A Ucrânia, acreditando que pode influenciar a opinião pública na Rússia por meio de ataques à infraestrutura civil, acredita que, dessa forma, entrará em negociações com a Federação Russa em termos favoráveis já neste outono ou inverno. No entanto, esses são, digamos, objetivos irrealistas do regime de Kiev, mas pelo menos é assim que eles veem a situação”, acrescentou.

A nova fase de agravamento da guerra da Ucrânia vinha sendo marcada por uma intensificação dos ataques de drones contra as refinarias de petróleo da Rússia, o que chegou a causar uma crise no abastecimento de gasolina nos postos em diversas cidades ao redor do país. Agora, Kiev realiza ataques sistemáticos contra depósitos da Wildberries durante toda a semana.

De um jeito ou de outro, o objetivo da Ucrânia se resume a uma tentativa de aumentar o custo da guerra para a Rússia, buscando desestabilizar o país do ponto de vista econômico, político e militar.

Moscou, por outro lado, não dá sinais de que fará quaisquer concessões à Ucrânia com a intensificação dos ataques. Pelo contrário, a Rússia também aumenta seu poder de fogo e realiza bombardeios mais potentes contra a capital Kiev e outras regiões ucranianas.

Em resposta, a Rússia lançou um ataque com mísseis na região da capital Kiev durante a tarde da última sexta-feira (24), atingindo o local onde estava sendo realizada uma exposição militar. De acordo com as autoridades ucranianas, pelo menos 10 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.

Esta dinâmica de retaliações é o que tem determinado a nova fase de escalada da guerra, com intensificação de ataques massivos de mísseis e drones de ambos os lados, cada vez mais atingindo áreas civis das cidades russas e ucranianas, paralelamente ao contínuo andamento da batalha na linha de frente, no leste ucraniano.
Com a aproximação do inverno na Europa, a tendência é que, com a continuidade dos ataques massivos de drones por parte de Kiev, a Rússia intensifique seus ataques contra a infraestrutura energética ucraniana. O cientista político Ivan Mezyukho destaca que Moscou adotará “uma resposta mais ampla e severa”.
“Em resposta aos ataques à infraestrutura civil, a Rússia provavelmente será forçada a atacar instalações de energia ucranianas. E toda essa atividade pode terminar com radiadores frios em apartamentos de Kiev já neste outono e inverno”, afirmou.

Para Mezyukho, a dinâmica de intensificação dos ataques levará o conflito entre os dois países a uma fase de desgaste do lado ucraniano. De acordo com o analista, isso pressupõe um agravamento dos ataques antes de qualquer resolução.

“Como resultado, o conflito se tornará mais violento e sangrento. De uma perspectiva histórica, devemos entender que o conflito ucraniano se aproxima de sua fase final. A fase final não significa que estamos falando de dois meses para o fim do conflito. Estamos falando que a Ucrânia simplesmente está esgotando seus recursos. E é em grande parte por isso que está se intensificando. A intensidade deste conflito está aumentando, tornando-se cada vez mais violenta. A fase final pressupõe mais violência”, completou o cientista político.

Fonte
Brasil de Fato
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