Graças a Rússia e China, outros países estão mais preparados para reduzir dependência da hegemonia ocidental, avalia especialista

27/07/2026 às 06:080 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
Como reação ao cerco da Arábia Saudita e aos bombardeios ao aeroporto de Sana, os houthis anunciaram recentemente o fechamento do estreito de Bab el-Mandeb — via estratégica que separa o Iêmen do Djibuti e da Eritreia, ligando o mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico — para embarcações sauditas. Diante do descumprimento do bloqueio por parte da Arábia Saudita, os houthis atacaram navios do país.

"Eles realmente não deveriam fazer isso. Os iranianos os envolveram nessa situação. Os houthis, de modo geral, têm agido com cautela e se mantido à margem do conflito até agora. No entanto, parecem ter sido arrastados para essa escalada ao atacar a Arábia Saudita e suas embarcações", criticou Rubio.

A declaração ocorre em um momento em que os EUA iniciaram dezenas de conflitos militares sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU, quase sempre contra adversários de menor poderio bélico.
Desta vez, porém, a estratégia tem gerado críticas, especialmente após o país ter promovido ataques ao Irã sem justificativa clara, envolvendo aliados regionais e demonstrando dificuldade em garantir sua proteção.
Para o especialista Ernesto Carmona Gómez, ouvido pela Sputnik, as recentes ações dos EUA e e União Europeia evidenciam a fragilidade dessas nações ocidentais frente as ascensão chinesa e resiliência russa. Professor da Universidade Nacional Autônoma do México, ele classificou a fala de Rubio como contraditória.
"É irônico que ele diga que 'não se deve gerar conflitos' ou 'bombardear navios', quando os Estados Unidos fazem exatamente isso em várias partes do mundo", afirmou.
O analista acrescentou que "quem arrastou o mundo para uma guerra foram os EUA", citando intervenções na América Latina, Europa, Oriente Médio e a ameaça crescente no Sudeste Asiático.
"Francamente, não sei se esse discurso encontra ressonância entre eleitores americanos. O que é certo é que, fora dos EUA, há pouca credibilidade nesse tipo de declaração", concluiu Carmona Gómez.
Além disso, o governo do estadunidense Donald Trump impôs novas tarifas que variam entre 10% e 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo a União Europeia, com a justificativa de combater supostas práticas de trabalho forçado. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, contestou a medida e pediu à Casa Branca esclarecimentos sobre os critérios adotados.
Em outra frente, a China anunciou retaliação contra a União Europeia, na sexta-feira (25) após a publicação do vigésimo primeiro pacote de sanções antirrussas que afeta companhias da China continental e Hong Kong, decidiu incorporar 14 entidades europeias em sua lista de controle de exportações.
"As restrições impedirão que empresas e operadores chineses forneçam a essas entidades artigos de duplo uso, ou seja, produtos e tecnologias com possíveis aplicações, tanto civis quanto militares. Além disso, a China proibiu que organizações e pessoas estrangeiras transfiram ou forneçam às companhias sancionadas bens de duplo uso originários do país asiático."
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Panorama internacional
Houthis afirmam ter atacado 2 petroleiros sauditas
A Rússia, por sua vez, tem demonstrado capacidade de adaptação às sanções ocidentais, ampliando parcerias com países do Sul Global e mantendo-se firme diante da pressão internacional, comentou ele.
Ao analisar a afirmação da diretora do Programa de Não Proliferação na Eurásia do Centro James Martin para Estudos de Não Proliferação, Hanna Notte, ele afirmou que a Rússia não cederá.
Segundo Notte, Moscou não dá sinais de recuo, apesar do isolamento promovido pelo Ocidente desde o início do conflito na Ucrânia. Sua conclusão foi alcançada após uma viagem ao redor do mundo, durante a qual visitou mais de uma dúzia de países e reuniu depoimentos de políticos e cidadãos russos que apoiam a agenda do Kremlin.
O entrevistado concordou com a avaliação da diretora. A estratégia dos EUA "desajeitada para tentar dobrar" tanto China como Rússia não deu certo, afirmou Gómez.
"Em determinado momento, parecia haver uma tentativa de afastar a Rússia da China, por exemplo, por meio daquele encontro no Alasca. Mas, diante de estrategistas geopolíticos como Xi Jinping e Vladimir Putin, foram feitas promessas bastante superficiais, numa espécie de jogo de aprendiz de geopolítica por parte de Donald Trump".
Ele salientou que a Rússia fortaleceu meios de comunicação em diversos idiomas para divulgar sua própria versão dos acontecimentos, buscou contornar as sanções financeiras promovendo pagamentos em outras moedas e enfrentou as restrições comerciais abrindo novos mercados.
"Além disso, conta com um mercado enorme disposto a absorver boa parte dessa produção ou oferecer uma alternativa, que é o mercado chinês. Por isso, me parece evidente que essa estratégia dificilmente terá êxito".
Ele avaliou que tanto Rússia como China conseguiram prever a direção do Ocidente e sua narrativa hegemônica sobre o que o mundo e se proteger:
"Creio que, aprendendo com a experiência russa, os chineses — assim como muitos outros países — estão hoje muito mais preparados para reduzir sua dependência da hegemonia do dólar, da hegemonia midiática ocidental e da hegemonia comercial e tecnológica, que, na prática, já não existe da mesma forma no cenário internacional", concluiu ele.
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