Venezuela critica campanha de desinformação após terremotos e anuncia nova fase de reconstrução

Por Leonardo Fernandes27/07/2026 às 22:441 visualizações
Diosdado Cabello, durante coletiva de imprensa.
Diosdado Cabello, durante coletiva de imprensa.
Brasil de Fato

O secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv) e ministro do Interior e Justiça do país sul-americano, Diosdado Cabello, realizou uma coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira (27), em Caracas (Venezuela), durante a qual fez duras críticas à campanha de desinformação articulada pela mídia empresarial. 

“Quantas campanhas fizeram neste mês? Uma pior que a outra. Inventaram aquele tsunami, no dia 25, no dia seguinte. Tinham que estar lá para ver o movimento do impacto que teve essa perversidade sobre o povo de La Guaira. Quantas vidas deixaram de ser salvas por isso? A eles não importa isso”, criticou o ministro. 

“Este último mês ensinou muito, ensinou muito de humanidade, de desprendimento, mas também nos ensinou muito sobre a vileza daquelas pessoas que se valem da dor humana para descarregar sobre a nossa pátria terríveis campanhas comunicacionais para causar dano”, completou.

“Essa é campanha orquestrada com dinheiro. São os mesmos atores midiáticos que disseram que o que faltava para cair o chavismo era um terremoto e que, se fossem dois, era melhor. Alegraram-se por isso e montaram sua campanha”, agregou o secretário-geral do Psuv.

Misión Vivienda de pé

Em seguida, Cabello passou a responder a cada uma das matrizes de opinião lançadas pela campanha de desinformação. Uma delas, a de que os edifícios que haviam colapsado teriam supostamente sido construídos pela Misión Vivienda, o programa de moradia popular do governo. 

“Não me ocorre, eu que estive lá embaixo, culpar o setor privado pelos edifícios que caíram. Os dois movimentos sísmicos que ocorreram foram devastadores e tudo o que estivesse nessa linha ia cair. Fosse privado ou fosse público. Ao final, fala-se de 4% das moradias que sofreram danos terem sido construídas pelo comandante Hugo Chávez. O resto são particulares, urbanismos privados. Apenas 4%”, ressaltou Cabello. 

Fake news das fossas comuns 

O ministro da Justiça também comentou sobre a fake news que circulou em meios internacionais de comunicação de que o governo estaria sepultando os mortos sem identificação. 

“La Guaira não tem espaço no cemitério e o prefeito disse que tínhamos lugar para cerca de 120 no cemitério que creio que se chama Esperança. 120 é bastante para uma cidade como La Guaira, mas não no meio de dois terremotos. Fizemos identificação datilar, impressão dentária, fotografia da pessoa, amostras de DNA para a identificação nos casos em que não podia ser reconhecido, tudo com um prontuário para os casos de desconhecidos. E assim mesmo montaram uma campanha”, declarou. 

Suposto abandono do governo

Finalmente, Diosdado Cabello classificou como uma mentira as informações sobre um suposto impedimento da chegada de ajuda humanitária às áreas afetadas. Disse que foi preciso restringir o acesso para garantir o socorro das vítimas e negou que o governo tenha abandonado a população. 

“É preciso ter muito estômago e maldade para montar uma campanha sobre os mortos. Entravam nos edifícios onde sabiam que iam resgatar uma pessoa para gravar. Puro sadismo. Não se identificavam. Foi uma grande campanha. A campanha do tsunami, a campanha de que não estavam permitindo a chegada de ajuda humanitária. Nós mudamos para o Poliedro, o local de registro. 31 mil pessoas voluntárias foram até lá e se registraram. E por quê? Porque estava descendo muita gente para La Guaira. E, quando resgatávamos alguém, podia demorar até 3 horas em um engarrafamento e podia morrer. Tivemos que restringir. Não proibimos, restringimos.”, explicou.

“Miseráveis! Diziam que o governo havia deixado as pessoas sozinhas, diziam que as pessoas estavam dormindo na rua e as próprias pessoas dizem que ficam na rua porque tinham medo de ficar no apartamento e tremer outra vez”, disse o ministro.

Plano Venezuela Renasce

Na coletiva desta segunda, o secretário-geral do Psuv apresentou um balanço das ações da militância após o terremoto de 24 de junho e anunciou a nova fase do plano de reconstrução nacional. Ele explicou que o partido suspendeu suas reuniões habituais por um mês para que a direção e a base pudessem se dedicar totalmente ao trabalho voluntário nos acampamentos e no atendimento às vítimas. 

Com a situação de emergência inicial controlada, a agremiação agora se incorpora plenamente ao plano Venezuela Renace, voltado para a reconstrução dos estados mais atingidos, como La Guaira, Caracas e Miranda. De acordo com o dirigente, mais de 700 engenheiros voluntários estão mobilizados para inspecionar as estruturas das moradias. 

“Uma das instruções que estamos dando ao partido é a incorporação plena à nova etapa de reconstrução do grande plano Venezuela Renace. Já fomos avançando na fase de socorrer, de ajudar. Vamos agora às fases de reconstrução. Já foram se retirando daqui do país todas as delegações que vieram para essa primeira fase de socorristas, de hospitais de campanha. Mas vamos a uma fase seguinte”, anunciou. 

“Há voluntários agora em todos os níveis. Mais de 700 engenheiros voluntários somados à revisão das estruturas das moradias, das inspeções”, agregou o também ministro da Justiça. 

Diálogo com oposição discutirá o fim das sanções

Questionado sobre o início do diálogo entre um setor da oposição e o governo, anunciado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, para o próximo 1º de agosto, o dirigente disse que a Venezuela é campeã em buscar o entendimento, mas ressaltou que dialogar não significa capitular.

“O governo da Venezuela creio que tem sido o campeão do diálogo. Deram um golpe de estado em Hugo Chávez e a primeira coisa que ele fez foi tirar um crucifixo e chamar ao diálogo diante de todo o mundo. Diálogo com os que lhe deram o golpe de Estado. Quantas vezes o presidente Maduro chamou ao diálogo neste país? Quantas? Quantas tentativas foram feitas e eles abortavam e abandonavam as decisões que seriam tomadas de última hora. E nós dissemos que falamos com quem quer que seja. Dialogar não significa capitular”, ressaltou.

Por outro lado, destacou que, enquanto o chavismo chegará coeso para essas conversas, a oposição está cada vez mais dividida. 

“Nós vamos unidos em um só bloco. O setor opositor não sei em quantos pedacinhos está. Esse processo de diálogo que foi convocado dividiu mais a oposição. Agora há mais pedacinhos. E quando digo pedacinhos, são pedacinhos. Nós vamos com uma só proposta: a paz deste país, e o levantamento das sanções deve ser parte desse diálogo”. 

Nesse sentido, o secretário reforçou que o pedido pelo fim de todas as sanções impostas pelos Estados Unidos contra a Venezuela estará sobre a mesa de negociações. Ele afirmou que o bloqueio econômico é uma restrição que impede o livre desenvolvimento do país e dificulta o acesso a recursos necessários para reconstruir as áreas afetadas. 

“Nós seguimos pedindo o fim de todas as sanções que existem contra o país, de todas, porque é uma restrição que impede o livre desenvolvimento da Venezuela como país soberano e independente. Isso é uma exigência que temos há bastante tempo fazendo”, declarou.

Saída do Tribunal Penal Internacional 

Por fim, Cabello confirmou a saída definitiva da Venezuela do Tribunal Penal Internacional (TPI), anunciada no último fim de semana. O ministro afirmou que a instituição é permanentemente usada para ataques infundados contra o país, enquanto “não diz nada” a respeito de “muitos crimes pelo mundo”. 

“A decisão já tinha sido tomada há tempos e agora a materializamos pelos importantes ataques que, desde essa instância, foram feitos contra o nosso país, contra o nosso povo, sinalizações infundadas, e aproveitamos todo o desastre que eles têm ali e saímos. É um verdadeiro desastre. Lembrem que assim foi quando saímos da OEA, nos retiramos e depois a OEA seguiu dizendo que nós éramos parte. De vez em quando declaram uma estupidez e nós seguiremos avançando. Não nos faz falta estar na Corte Penal Internacional. Há muitos crimes no mundo e a Corte Penal Internacional não diz nada”, disse o ministro.

Fonte
Brasil de Fato
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