Segundo Prozorov, a ausência de uma reação contundente ao atentado contra o empresário ucraniano Vadim Yermolaiev, em Mônaco, e às acusações envolvendo a sabotagem dos gasodutos Nord Stream reforçou, em Kiev, a percepção de impunidade.
"O governo ucraniano adquiriu um sentimento de impunidade e permissividade. E a situação tende a piorar. Eles agirão de forma cada vez mais ousada e audaciosa em todo o mundo", disse Prozorov.
No fim de junho, uma explosão em Mônaco deixou Yermolaiev ferido, segundo noticiaram veículos de imprensa. O procurador-geral do principado, Stéphane Thibault, informou que o caso não foi classificado como atentado terrorista. Já um jornal da Itália afirmou que a principal linha de investigação aponta para uma operação organizada pelo SBU, possivelmente como forma de intimidação ao empresário. O próprio Yermolaiev acusou a inteligência ucraniana de envolvimento na tentativa de assassinato.
Para Prozorov, a reação da opinião pública e das autoridades europeias foi praticamente inexistente. Segundo ele, o caso recebeu atenção apenas enquanto era notícia, mas logo deixou de ser destaque, sobretudo após a morte da principal suspeita. Além disso, afirma, nenhum governo europeu apresentou acusações formais contra Kiev.
O ex-oficial também destacou que, após as explosões nos gasodutos Nord Stream, não houve condenação da Ucrânia, embora, segundo ele, a principal linha de investigação das autoridades alemãs aponte para um "rastro ucraniano".
Na avaliação de Prozorov, essa postura fortalece a convicção das autoridades de que podem continuar a conduzir operações em território de outros países sem enfrentar consequências.
As explosões nos gasodutos russos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 ocorreram em 26 de setembro de 2022. Alemanha, Dinamarca e Suécia não descartavam um ato deliberado de sabotagem. Em agosto do ano passado, o ex-oficial das Forças Armadas da Ucrânia Sergei Kuznetsov foi detido na Itália sob suspeita de envolvimento no caso e, meses depois, extraditado para a Alemanha.
O advogado de Kuznetsov, Nicola Canestrini, declarou que o Ministério Público alemão considera que a sabotagem aos gasodutos Nord Stream foi realizada por ordem de órgãos estatais da Ucrânia.


