Conforme publicado pelo Estadão, o Itamaraty entende como "muito grave" o comportamento de Milei, que esteve no Brasil na última semana para participar da convenção do PL, em São Paulo, evento no qual foi oficializada a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
Em seu discurso no último sábado (25), Milei deu apoio à candidatura de Flávio e classificou o senador como o nome capaz de deter o que chamou de "risco Lula" para a economia brasileira, além de defender mão firme no combate à criminalidade e criticar o Foro de São Paulo, fundado por Lula e Fidel Castro em 1990.
A Moraes, o presidente da Argentina disse que o ministro do STF é um "lixo careca", ao comentar a impossibilidade de visitar Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar em Brasília (DF). O magistrado vetou o encontro solicitado pelo líder argentino.
"O 'lixo careca' não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando eu sei que Lula se cansou de receber líderes do exterior quando estava preso."
Após as falas de Milei, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a economia brasileira está em situação mais sólida do que a argentina e chamou o líder argentino de "palhaço".
O presidente Lula, durante a recepção em Brasília ao presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung, ironizou o mandatário argentino. "Quem é esse cara?", respondeu a jornalistas após ser perguntando sobre as declarações de Milei.
Já o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, usou as redes sociais para classificar Milei como "uma caricatura patética, que envergonha o cargo que ocupa" e como um "puxa-saco" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Itamaraty, por sua vez, convocou para consultas o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, após as declarações do presidente argentino. A decisão foi tomada pelo chanceler Mauro Vieira enquanto retornava de viagem à Ásia.
Além de Bitelli, Vieira também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre as falas de Milei.
"Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro", afirmou o Itamaraty em nota.


