O 1% mais rico da população da China responde por mais de metade de toda a arrecadação do imposto de renda de pessoas físicas. Essa é uma das três razões para o rápido crescimento do tributo, segundo Wang Shiyu, auditor-chefe da Administração Estatal de Tributação (AET), em coletiva sobre o 15º Plano Quinquenal (2026–2030) nesta terça-feira (28) em Pequim.
As outras duas razões são o crescimento dos rendimentos de capital (transferências de ações com restrição de venda subiram 97,6%; juros, dividendos e participações nos lucros cresceram 15,2%) e a expansão de setores como pesquisa científica e serviços técnicos, cujo imposto de renda cresceu 15%, e metalurgia e transformação de metais não ferrosos, com alta de 40,8%.
O 15º Plano Quinquenal estabelece como meta promover uma distribuição de renda “em formato de azeitona”, com base e topo estreitos e centro largo. Wang indicou que reformas no imposto de renda serão aprofundadas com esse objetivo.
O auditor ainda informou que a arrecadação chegou a 900 bilhões de yuans (cerca de R$ 680 bilhões) na sétima liquidação anual do tributo, encerrada em 30 de junho de 2026, tornando-o o terceiro maior tributo arrecadado no país, com alta de 13%.
A China mudou o sistema de tributação em 2019. Antes, cada tipo de renda era tributado de forma separada na fonte, sem combinação anual. A reforma criou um sistema misto: quatro categorias de renda (salários, trabalho autônomo, direitos autorais e royalties) passaram a ser somadas e tributadas como renda total anual, com acerto entre março e junho do ano seguinte, semelhante ao IRPF brasileiro. Quem ganha menos de 120.000 yuans ao ano (cerca de R$ 91.000) ou deve menos de 400 yuans de ajuste (cerca de R$ 300) está dispensado de declarar. A edição de 2026, cobrindo os rendimentos de 2025, é a sétima no novo modelo.
Na edição deste ano, mais de 200 milhões de contribuintes fizeram a declaração, o que representou um crescimento de 4,38% em relação à anterior; mais de 70% encerraram o ajuste sem débitos a pagar.
Balanço do plano
A coletiva do auditor-chefe da AET faz parte da série de balanços sobre o início do 15º Plano Quinquenal, e reuniu o diretor-geral da AET, Hu Jinglin, e três integrantes da cúpula do órgão no Gabinete de Informação do Conselho de Estado.
“O efeito do imposto de renda de pessoas físicas na regulação da distribuição de renda continua evidente”, afirmou Wang Shiyu. Do lado das deduções, 126 milhões de pessoas utilizaram abatimentos por gastos com idosos, saúde e educação. O número de beneficiários cresceu 5,9% e o valor das reduções somou mais de 320 bilhões de yuans (R$ 242 bilhões), alta de 8,2%. Mais de 100 milhões de contribuintes receberam restituições que totalizaram mais de 150 bilhões de yuans (R$ 113 bilhões).
O diretor do órgão destacou ainda o fato de que a cobertura previdenciária contra acidentes de trabalho para entregadores, motoristas por aplicativo e outros trabalhadores de plataformas digitais foi expandida de programas-piloto para todo o território nacional em 1º de julho de 2026, passando a valer para 29,1 milhões de pessoas.
