Após uma série de fiscalizações na Barra Funda e em Santa Cecília, bairros da região central de São Paulo (SP) conhecidos pelo grande movimento de bares e restaurantes, comerciantes denunciam abuso de autoridade e prejuízos ao setor.
Em um manifesto publicado no perfil “Bares pela Democracia”, os comerciantes pedem respeito ao trabalho e falam em atuação “desproporcional” por parte das autoridades municipais, gerando “medo, insegurança e prejuízos para quem vive do próprio trabalho”.
“Bares não são apenas estabelecimentos comerciais. São espaços de encontro, cultura, convivência, geração de renda e ocupação saudável da cidade. Defendemos que a fiscalização exista, mas que seja realizada com equilíbrio, razoabilidade e diálogo, nunca como instrumento de intimidação ou inviabilização da atividade econômica”, diz trecho do texto divulgado há quatro dias.
O estopim se deu no final de semana do dia 18 de julho, quando a Guarda Civil Metropolitana (GCM) fez uma ação coordenada nos dois locais, chegando, inclusive, a fechar uma rua com mais de 20 viaturas. Quem fez o relato ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, é Luiz Guilherme Ferreira, representante do movimento Bares Pela Democracia.
“No decorrer desses três dias, houve relatos de dispersão de público na rua com gás de pimenta. Várias viaturas paravam, como a gente já vê bastante na cidade, em cima das calçadas, impedindo às vezes até o fechamento dos bares de uma forma mais fluída”, conta.
Ferreira destaca a ostensividade da ação da guarda, que, segundo ele, fazia a abordagem nos estabelecimentos fortemente armados. “Eles desciam e pediam a documentação sempre com uma metralhadora, uma coisa que não cabe naquele espaço. E com os fiscais, que é quem, em tese, está ali autorizando, pedindo aquela força policial para que o trabalho se desenvolva, atuando de uma forma bastante tranquila em relação a isso, sem questionarem absolutamente nada”, aponta. “Foi o ápice de algo que está acontecendo há bastante tempo.”
O comerciante detalha o prejuízo que a ação tem dado aos bares, a maioria de pequenos empreendedores. “Se a gente fizer a conta do final de semana, quando o movimento é maior, um quarto do mês significa muitas vezes você não conseguir pagar uma folha de pagamento, você não conseguir pagar cachê de artistas e as contas fixas também, como aluguel, luz, enfim. É um impacto brutal”, destaca.
Luiz Guilherme Ferreira conta que o coletivo Bares pela Democracia se formou em 2022, na época das eleições, na esteira de apoio à candidatura de Lula e para barrar o avanço da extrema direita. De lá para cá, o grupo realizou festivais de rua e passou a amadurecer o debate de ocupação da cidade, inclusive participando de discussões com relação a Lei do Psiu. Ele defende um diálogo amplo sobre o tema que envolva toda a sociedade.
“Tem que chamar o Psiu, a fiscalização. A gente entende que tem que existir diálogo. A nossa posição agora é a seguinte: primeiro, entender o que vem acontecendo, que, nesse final de semana, novamente, foi bastante ostensivo. A gente quer entender com os parlamentares a possibilidade de oficiar o Poder Executivo sobre como são organizadas essas operações. Na sequência, a gente vai chamar uma reunião de bares, artistas e tudo mais, para tirar um posicionamento e levar para uma reunião do Conseg [Conselho de Segurança] da área e depois fazer uma reunião com a subprefeitura, porque a gente tem que chegar no meio-termo”, reforça.
O Brasil de Fato procurou a GCM, por e-mail, para pedir um posicionamento, mas, até o fechamento do texto, não houve retorno. O espaço segue aberto.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
