
A ampliação de parques, praças e ciclovias está associada ao aumento do uso da bicicleta como meio de transporte na cidade de São Paulo, segundo um estudo da Universidade de São Paulo. Pesquisadores do Grupo de Estudos e Pesquisas Epidemiológicas em Atividade Física e Saúde (Gepaf-USP) analisaram dados coletados ao longo de dez anos, entre 2014 e 2024, em uma pesquisa considerada inédita em países de média e baixa renda.
Autor do estudo, Danilo Santana, pesquisador do Gepaf-USP, explica que o ambiente urbano exerce influência direta sobre a decisão de utilizar a bicicleta para os deslocamentos diários. “Quem vive próximo de ciclovias e de uma maior diversidade de espaços públicos apresentou maior probabilidade de utilizar a bicicleta no dia a dia”, afirma.
Desigualdade no acesso aos espaços públicos

Embora a bicicleta possa ser utilizada por pessoas de todas as regiões da cidade, a infraestrutura disponível não é distribuída de forma homogênea. Segundo Santana, a região Centro-Oeste concentrou, durante todo o período analisado, a maior proporção de moradores com acesso a dois ou três tipos de espaços públicos.
De acordo com os dados de 2023 e 2024, mais da metade dos moradores dessa região vivia próxima a dois ou mais espaços públicos abertos, porcentual superior ao observado nas demais regiões da capital.
Ao analisar os dados de 2014 e 2015, os pesquisadores verificaram que as regiões Norte, Centro-Oeste e Sul apresentavam as maiores taxas de uso da bicicleta como meio de transporte. Com o passar dos anos, porém, essas diferenças diminuíram. “Isso ocorreu principalmente porque o uso da bicicleta caiu em praticamente toda a cidade”, observa o pesquisador.
Infraestrutura sozinha não garante mais ciclistas
Apesar do aumento da população com acesso a múltiplos espaços públicos — de 23,2% em 2014/2015 para 33% em 2023/2024 —, a proporção de paulistanos que utilizam a bicicleta para deslocamentos diminuiu de 6,2% para 4%.
Para Santana, os resultados mostram que a infraestrutura, embora essencial, não é suficiente para estimular o uso da bicicleta. “Ela é importante, mas precisa funcionar como um sistema”, afirma. Segundo o pesquisador, fatores como integração com o transporte público, conexão entre as ciclovias e maior segurança no trânsito ainda representam obstáculos para ampliar a adesão da população ao modal.
Por outro lado, o estudo identificou que a redução do uso da bicicleta não ocorreu entre os moradores que vivem próximos a uma maior diversidade de espaços públicos. “Isso sugere que um ambiente urbano mais favorável pode ajudar a manter o hábito de pedalar ao longo do tempo”, conclui Santana.
*Sob supervisão de Marcia Avanza
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