

A visão é uma área de atenção fundamental durante o envelhecimento, essencial para manter a independência, a segurança e a qualidade de vida. Com o passar dos anos, os olhos sofrem alterações naturais, havendo diminuição da adaptação ao escuro, maior sensibilidade à luz e redução do campo visual. A partir dos 40 a 45 anos, é comum surgir a presbiopia, popularmente conhecida como “vista cansada”, que dificulta o foco em objetos próximos devido à perda de flexibilidade do cristalino.

Egídio Dorea, médico e coordenador do programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, explica que, após os 60 anos, outras condições se tornam muito mais frequentes. Entre elas estão o olho seco, o glaucoma, dano progressivo e muitas vezes silencioso ao nervo óptico. A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) — que afeta a visão central e detalhada — e a catarata, caracterizada pela opacificação do cristalino que causa a visão embaçada, também são consequências desse processo.
O médico comenta que a pauta exige atenção devido à alta prevalência no País. “Em estudos realizados no Brasil, como o conduzido em Veranópolis, no Rio Grande do Sul, observou-se que, entre idosos acima de 80 anos, a presbiopia afetava 92,5% e a catarata atingia 85,6% das pessoas”, destaca.
Qualidade de vida prejudicada
A redução da capacidade visual vai muito além do desconforto de não enxergar bem. A perda visual impacta diretamente a autonomia, a autoestima e a qualidade de vida do idoso, elevando o risco de quedas e fraturas, além de comprometer severamente a realização de atividades diárias simples.
Os danos causados por uma visão danificada são inúmeros e afetam diversas áreas da vida. “Muitos idosos com baixa visão relatam grande dificuldade para ler, reconhecer rostos, dirigir e até fazer o uso correto de medicamentos. Esse comprometimento nas tarefas e na interação pode acabar levando ao isolamento social”, afirma Dorea. Esses problemas, consequentemente, estão diretamente associados a um maior risco de depressão, ansiedade e até declínio cognitivo.
Medidas de prevenção
Muitas das alterações à vista, causadas em meio ao envelhecimento, podem ser prevenidas ou controladas com a adoção de medidas simples no cotidiano. O diagnóstico precoce de condições como a catarata, o glaucoma e a DMRI permite tratamentos altamente eficazes, de acordo com o médico. A cirurgia de catarata, por exemplo, possui uma alta taxa de sucesso para devolver a visão aos pacientes.
Egídio Dorea ressalta que cuidar da saúde ocular passa, primeiramente, por realizar exames oftalmológicos completos a cada um ou dois anos, conforme a indicação médica, especialmente após os 50 anos. “Os principais fatores e hábitos protetores incluem: proteger os olhos da luz ultravioleta, utilizando óculos de sol com filtro UV e chapéus, e adotar uma alimentação rica em antioxidantes, focando em folhas verdes, frutas cítricas, peixes ricos em ômega-3, nozes e vegetais coloridos”, recomenda. O controle rigoroso de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, associado à interrupção do tabagismo, também são grandes aliados na preservação da visão.
*Estagiário sob a supervisão de Cinderela Caldeira


