Após o estremecimento das relações entre Estados Unidos e Israel por causa da condução da guerra contra o Irã, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente Donald Trump tiveram um encontro oficial nos Estados Unidos, avaliado pela Casa Branca como positivo.
Os países têm uma divergência que, até o momento, parece intransponível: a questão do Líbano, já que Israel quer continuar sua expansão territorial. Ao mesmo tempo, o governo persa coloca a paralisação dos ataques ao sul libanês como fundamental para aceitar o fim do conflito.
A jornalista Flávia Gianini, especialista em política e economia internacional, avalia que a saída de Netanyahu de Israel em meio ao retorno da guerra e à situação conflagrada no Oriente Médio tem a ver com o fato de que o conflito pode estar se encaminhando para o final. A economia também pressiona nesta direção, com a alta persistente nos preços dos combustíveis.
“É um movimento para que, de alguma forma, Trump demonstre apoio a Netanyahu. Demonstra que ele teve que ceder em alguma coisa, algum aspecto. E isso é bastante grave. Isso, do ponto de vista diplomático, quer dizer que os acordos diplomáticos estão chegando a um ponto em que todo mundo está convergindo para a ideia de que essa guerra precisa parar”, pondera em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Flávia Gianini ressalta também que a “conta política interna” dos dois líderes, Netanyahu e Trump, tem ficado cara. “E a situação de Netanyahu é ainda pior, porque, ao concluir o mandato, ele vai direto para o banco dos réus, porque é um criminoso de guerra”, destaca.
Gianini aponta o movimento que acontece neste momento em Gaza, onde Israel permitiu a entrada da força de segurança multinacional, sinalizando um aceite do proposto pelo acordo de Trump. “O povo palestino já sofre muito e há muito tempo. Todas as invasões, as entradas, a ocupação do território têm ficado cada vez mais graves nos últimos anos. Eles terem aceitado as forças de ocupação e Israel ter aceitado as forças de ocupação quer dizer que talvez a gente esteja chegando num limite sobre esse assunto.”
Ela destaca que a convergência não significa necessariamente uma melhora de vida na Palestina. “As forças de ocupação não estão necessariamente representando uma solução para o genocídio ou uma introdução de forças internacionais, mas isso pode melhorar as tensões”, avalia.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
