Em BH, cursinho popular de redação para o Enem recebe escritor baiano em lançamento de livro

28/07/2026 às 20:360 visualizações
O cursinho Abantu busca ampliar o acesso à educação e enfrentar uma das maiores desigualdades do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): o desempenho na redação.
O cursinho Abantu busca ampliar o acesso à educação e enfrentar uma das maiores desigualdades do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): o desempenho na redação.
Brasil de Fato

Para marcar o início do ciclo de aulas, a abertura do cursinho popular de redação Abantu: ensino para todos terá um encontro entre literatura, educação e ancestralidade. Nesta quarta-feira (29), às 19h30, a Casa Bantu, no bairro Concórdia, em Belo Horizonte, recebe o escritor, ator e ativista baiano Hamilton Borges para o lançamento do livro “Escrevo para Ser Esquecido”. 

O evento também marca a aula inaugural do projeto de redação para jovens da cidade. Tanto o livro quanto o Abantu partem da escrita como ferramenta de transformação social e valorizam os saberes produzidos pela população negra, articulando conhecimentos acadêmicos e ancestrais para fortalecer uma educação crítica e comprometida com a redução das desigualdades. 

Publicado pela Reaja Editora, “Escrevo para Ser Esquecido” reúne crônicas, ensaios, cartas públicas e intervenções escritas por Hamilton Borges ao longo de mais de duas décadas de atuação política e intelectual.

A obra percorre temas como racismo, genocídio da população negra, memória, resistência, política cultural, diáspora africana e organização popular, dialogando também com as tradições espirituais afro-brasileiras, especialmente com a experiência histórica dos quilombos e dos candomblés da Bahia como territórios de produção de conhecimento e autonomia. 

“São títulos que remetem a uma ideia de contradição dentro da própria sociedade. Escrevo para Ser Esquecido não é diferente, porque é uma reunião de textos produzidos em um momento em que eu participava de uma luta política radical. São 20 anos de atuação contra o genocídio, contra a brutalidade policial e contra o próprio Estado”, conta o escritor. 

O Abantu

O cursinho Abantu busca ampliar o acesso à educação e enfrentar uma das maiores desigualdades do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): o desempenho na redação. 

Em 2025, a média dos estudantes da rede pública nessa competência foi de 576 pontos, enquanto alunos da rede privada alcançaram média de 729 pontos, segundo levantamento da Arco Educação com dados de 2025. 

Embora o cursinho seja aberto a estudantes de qualquer trajetória escolar, o foco do projeto é ampliar as oportunidades para jovens da rede pública. Além de inspirar os participantes, a presença de Hamilton Borges também dialoga com as competências exigidas na redação do Enem. 

As reflexões presentes na obra oferecem repertório sobre questões sociais, históricas e culturais que frequentemente atravessam os temas propostos pelo exame, reforçando a escrita como instrumento de leitura crítica da realidade. 

O cursinho  

Abantu vem do kimbundu, língua do povo Bantu, e significa “todos”, traduzindo o compromisso com uma educação inclusiva e equitativa. Com sede na Nzo Jindanji Kuna Nkossi, comunidade tradicional de candomblé Kongo-Angola em Minas Gerais, o cursinho integra saberes acadêmicos e ancestrais. 

À frente da coordenação do projeto está Makota Gavulê, educadora e historiadora, e Makota da Nzo Jindanji Kuna Nkossi, que é pós-graduanda em Cultura no Brasil Contemporâneo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). 

Para participar do processo seletivo do cursinho e ter acesso às aulas online de técnicas de escrita de redação, os interessados podem se inscrever aqui.

Fonte
Brasil de Fato
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