"Esse aumento da militarização, por parte especialmente da Austrália, da Nova Zelândia e dos EUA, que possuem bases militares na região, e também da França, uma potência que interferiu historicamente nos assuntos da Oceania, se deve à instabilidade do sistema internacional, que se acentuou com Trump, onde os países perceberam que não podem depender e nem terceirizar sua segurança para os EUA", disse.
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"Ao pesquisar mais a fundo, o programa feito entre o Estado e a organização de defesa da Nova Zelândia era apenas a ponta do iceberg de um problema maior, que era essa questão dos crimes transnacionais, que foi aumentando, em especial dos anos 2000 até aqui, onde a gente vê que a Oceania é uma rota de tráfego para essas organizações de tráfico de drogas da América do Sul e da Ásia", comenta.
Segurança coletiva, porém, com a soberania em risco
"Um caso que também aconteceu foi entre a Nova Zelândia e as Ilhas Cook. As Ilhas Cook foram uma ex-colônia da Nova Zelândia, e, no começo deste ano, elas assinaram um tratado de segurança afirmando que quem deveria cuidar da segurança das Ilhas Cook era especificamente a Nova Zelândia", destaca.
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"Essas ilhas, vulneráveis política e economicamente, tendem a ir para o lado da China ou da Austrália, Nova Zelândia e EUA. Em junho, a Austrália e Vanuatu assinaram um acordo que infringiu a soberania de Vanuatu, pois impede que Vanuatu seja utilizado para a criação de infraestrutura crítica e militar de território estrangeiro, já que a China tentou construir um porto em Vanuatu e isso foi visto como ameaça por potências da região", observa.
Grupos paramilitares no foco de tensões geopolíticas
"Os conflitos que existiam anteriormente eram mais entre Estados, e neste momento, com a complexificação do sistema internacional, vão surgir novos atores, como grupos paramilitares. No caso da Oceania, temos até o uso de submarinos para transporte de drogas. Além disso, há ainda uma maior utilização de drones. Logo, vai se tornando cada vez mais complexo combater esses grupos, o que demanda ações de um conjunto de países", conclui.
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