Dani Balbi: ‘Rio de Janeiro é balão de ensaio do avanço da extrema direita’

Por BdF Entrevista30/07/2026 às 09:000 visualizações
Dani Balbi é a primeira deputada trans na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
Dani Balbi é a primeira deputada trans na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
Brasil de Fato

Primeira deputada trans da história da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Dani Balbi (PCdoB) vai tentar a reeleição este ano para uma casa parlamentar conhecida pelo embrutecimento político, com uma forte presença da extrema direita.

Para Balbi, não apenas a Alerj, mas as dinâmicas políticas do estado do Rio de Janeiro favorecem a consolidação do conservadorismo. Em conversa com o BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, ela relata as dificuldades que encarou para conseguir se colocar no quadro político, especialmente por ser uma “mulher trans, negra, de periferia e comunista”.

“O Rio de Janeiro é um balão de ensaio, infelizmente, muito bem-sucedido, no que se refere ao avanço da extrema direita em posições de poder estratégicas, inclusive e especialmente com uma desqualificação muito patente dos quadros políticos da direita tradicional e, por conseguinte, com aberturas de quadros da extrema direita”, analisa.

Durante seu mandato, Dani Balbi presidiu a Comissão de Trabalho e ganhou destaque na defesa da classe trabalhadora e da ciência e tecnologia. Segundo ela, a articulação dentro da Comissão foi fundamental para limitar impactos negativos do governo de Cláudio Castro.

“Foi uma luta da classe trabalhadora, especialmente no que se refere ao aumento dos postos de trabalho e à apreciação do valor da remuneração, da renda, do trabalho, dos salários. Foi uma campanha permanente contra o patronato. É bom que se diga que há uma face detratória, tacanha, canhestra, grotesca da extrema direita, mas há também um núcleo ideológico neoliberal fortíssimo, alinhado com os interesses da elite e do capital brasileiro aqui no Rio de Janeiro”, critica.

Além disso, ela foi pioneira no apoio institucional ao movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que defende o fim da escala 6×1. Para a deputada, focar em questões materiais da vida do povo é a chave para vencer as disputas ideológicas.

“É uma causa que é humana, antes de tudo, fortemente vinculada à defesa intransigente da emancipação geral da classe trabalhadora e à luta de diversos sindicatos e categorias Brasil afora, que vêm lutando pelo fim da escala 6×1 há muito tempo. E a extrema direita se vê numa situação delicada, porque a pauta tem muito apelo da classe trabalhadora e a extrema direita tem muita dificuldade de ir contra”, avalia. 

Balbi pondera que, quando debate costumes, a direita pode até ter alguma vantagem ao conseguir dialogar com uma parcela específica da população. Mas, quando a situação volta para as coisas práticas da vida, eles se enrolam. “Quanto mais nós jogarmos na agenda da melhoria da qualidade de vida, na materialidade das relações objetivas e sociais, mais nós teremos condições de avançar na derrota da extrema direita”, defende.

A entrevista também abordou a complexa conjuntura política fluminense, incluindo a influência das milícias e o legado de Marielle Franco. Balbi analisou o fenômeno do “feminicídio político” de Marielle como um marco que expôs a infiltração do crime organizado nas instituições do Rio.

Apesar de sofrer ameaças rotineiras por sua atuação política, a parlamentar reforçou a necessidade de ocupar todos os espaços. “Se nós optarmos por não fazer política em determinado território, a gente vai dar a eles a vitória. A gente não pode sucumbir a tudo o que eles fazem para tentar nos calar”, afirma.

Dani Balbi também falou sobre tática eleitoral para os próximos anos, enfatizando que, embora tenha uma presença significativa nas redes sociais, sua força política reside na rua, junto aos movimentos sociais. “A gente não domina a lógica da manipulação algorítmica. A gente não domina a infraestrutura dessas redes. A gente está nas redes como resistência. Elas são dominadas pelas big techs, são operadas por empresas, por ideólogos alinhados à extrema direita no mundo inteiro. Nós não temos a ilusão de que vamos ter o mesmo impacto nas redes sociais que os nossos adversários. Eles são privilegiados, são muitas vezes impulsionados pela própria gestão das big techs. E nós não, nós estamos ali remando contra a maré”, avalia.

Confira a entrevista completa:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Fonte
Brasil de Fato
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