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Qual o papel das juventudes na construção de respostas para as crises socioambientais e climáticas que afetam o Brasil? Longe de serem apenas sujeitos passivos de estudos acadêmicos, jovens de diferentes cantos do País têm ocupado o centro do debate como produtores de conhecimento, lideranças e agentes de transformação. É essa potência que inspira o novo dossiê Jovens & Territórios, volume recém-lançado da revista Diálogos Socioambientais, que está disponível neste link.
A publicação é organizada pelos professores da USP Pedro Roberto Jacobi, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), e Leandro Luiz Giatti, da Faculdade de Saúde Pública (FSP), ao lado das pesquisadoras em estágio pós-doutoral Letícia Stevanato Rodrigues e Ariadne Dall’Acqua Ayres, ambas do IEE.
De acordo com o professor e organizador da edição Pedro Roberto Jacobi, a revista é uma iniciativa do Grupo de Acompanhamento e Estudos de Governança Ambiental (GovAmb), sediado no Instituto de Energia e Ambiente (IEE), em parceria com o Laboratório de Planejamento Territorial da Universidade Federal do ABC. As atividades do grupo tiveram início em 2022, com foco nos diversos territórios, territorialidades e temas relacionados às questões socioambientais, sempre voltadas à compreensão das relações entre sociedade e natureza em suas múltiplas dimensões.
Neste volume, dedicado ao tema Jovens e Territórios, estão reunidos textos produzidos por jovens pesquisadores, lideranças comunitárias, ativistas e educadores de diversos territórios do Brasil. O fio condutor entre os trabalhos é a articulação entre juventude, território e questões socioambientais, com destaque para a emergência climática, a justiça ambiental e a produção compartilhada de conhecimento, afirma o coordenador.
Escrito em linguagem acessível para alcançar tanto o público acadêmico quanto a sociedade em geral, o dossiê apresenta a diversidade geográfica e cultural e reflete a pluralidade do País. Os artigos percorrem territórios que vão das aldeias indígenas Kaingang e Pankararu e dos quilombos da Caatinga paraibana às comunidades do Vale do Ribeira, às Reservas Extrativistas (Resex) da Amazônia e às periferias urbanas de São Paulo, como Heliópolis.
Os textos abordam temas urgentes, como o protagonismo indígena na relação entre território e trabalho, a vivência da juventude extrativista na Resex Alto Juruá, o racismo ambiental enfrentado por crianças nas periferias, o artivismo e o hip-hop como ferramentas de cura e resistência nas florestas, a mobilização infantojuvenil e a educação voltada para a justiça climática.

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Ao reivindicar a diferença entre pesquisar sobre e pesquisar com as juventudes a partir de seus próprios territórios, a obra divide-se em seis seções temáticas:
- Contexto, que situa as relações entre juventude, território e questão socioambiental;
- Entrevistas, dedicada à escuta de jovens ativistas-pesquisadoras urbanas e indígenas;
- Jovens que Pesquisam, com trabalhos científicos desenvolvidos por jovens que investigam suas próprias realidades;
- Interdisciplinar, que articula diferentes campos do saber sobre educação climática e riscos sistêmicos;
- Engajamento, voltada a experiências de mobilização comunitária e infantojuvenil diante da emergência climática; e
- Arte, que reúne reflexões sobre o papel das expressões culturais e do artivismo periférico.
A elaboração dos materiais contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), integrando as ações do Eixo 9 do Climares (Centro de Pesquisa em Resiliência a Crises e Desastres Climáticos) e do projeto Nexos urbanos de clima e saúde: ampliando a resiliência e a equidade na saúde por meio da ciência cidadã, da modelação de sistemas dinâmicos e da inovação em políticas.
Para a equipe editorial, o resultado final vai além do rigor científico: entrega um convite à ação e ao afeto, conforme analisa a pós-doutoranda do IEE e organizadora Ariadne Dall’Acqua Ayres: “Organizar este volume foi uma felicidade imensa. Entramos em contato com pessoas que fazem a diferença em seus territórios, relatos de novas formas de construção do conhecimento científico e pessoas que veem com amor sua relação com o território. É uma edição muito linda e esperamos que acadêmicos e não acadêmicos sintam-se inspirados pelos textos.”
A edição digital da revista Diálogos Socioambientais – Dossiê Jovens & Territórios é aberta e já está disponível para leitura no portal de periódicos da Universidade Federal do ABC (UFABC) neste link.
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