Os resultados mostraram uma queda significativa nos erros para a maior parte dos participantes ao longo da prática. Os níveis iniciais de autoeficácia e de motivação intrínseca explicaram apenas 1% da variação no aprendizado final, o que sugere baixa influência desses fatores na aquisição da nova habilidade.
Ao mesmo tempo, tanto a autoeficácia quanto a motivação intrínseca aumentaram durante o experimento, sugerindo que a prática em si fortalece a autoconfiança e o engajamento dos participantes. “Isso sugere que, em novas habilidades, talvez não seja a confiança inicial que determine a aprendizagem. Na verdade, é a própria prática que ajuda a construir confiança e motivação ao longo do processo”, comenta Souza Paula.
Para o pesquisador, os achados ajudam a compreender melhor os fatores envolvidos na aprendizagem motora. “O estudo mostra insights importantes em relação ao início da prática de uma nova habilidade motora, na qual a motivação intrínseca e autoeficácia inicial parecem não ser tão importantes para o sucesso da aprendizagem”, enfatiza.
Outro dado observado foi a alta frequência de solicitações de feedback, presente em cerca de 88% das tentativas realizadas. Em vez de buscarem feedback de forma estratégica para confirmar seus acertos, a maioria admitiu uma decisão prévia de solicitar ajuda em quase todas as tentativas. Segundo o autor, esse comportamento pode tornar o aprendizado mais superficial, já que reduz a oportunidade de autoavaliação e aumenta a dependência de respostas externas.
A dissertação aponta limitações, como o uso de apenas uma tarefa motora e de um único grupo experimental. Ainda assim, os resultados reforçam que, embora fatores psicológicos tenham papel importante no processo de aprendizagem, eles não substituem a prática estruturada nem o uso estratégico do feedback na construção de novas habilidades motoras.
A pesquisa é relatada na dissertação de mestrado O papel da autoeficácia na relação entre motivação intrínseca e aprendizagem motora e pode ser acessada na íntegra neste link.
* Estagiário sob Supervisão de Paula Bassi, Seção de Relações Institucionais e Comunicação da EEFE. Adaptado por Jornal da USP
**Estagiária sob orientação de Simone Gomes






