‘Deturpação midiática’: Irã nega atrito com Venezuela após fala do chanceler persa

Por Leonardo Fernandes30/07/2026 às 19:510 visualizações
Mulher segura bandeiras da Venezuela e do Irã, em ato contra a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o país persa.
Mulher segura bandeiras da Venezuela e do Irã, em ato contra a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o país persa.
Brasil de Fato

A embaixada do Irã na Venezuela afirmou que as declarações recentes do ministro de Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, foram tiradas de contexto pela imprensa. Segundo nota oficial divulgada em Caracas, houve uma tentativa de prejudicar a relação histórica entre as duas nações através de manobras midiáticas.

O episódio começou após o governo da Venezuela, liderado pela presidenta em exercício Delcy Rodríguez, entregar uma nota de protesto formal à diplomacia iraniana, na terça-feira (28), em que criticava expressões consideradas impróprias sobre as autoridades venezuelanas. Em uma entrevista, o chanceler iraniano teria dito que o Irã “não é como a Venezuela”, onde as pessoas “recuam” diante de pressões externas.

“O Irã não é a Venezuela, onde se prende uma pessoa e todos os outros ficam com medo e recuam”, disse Araghchi em entrevista à agência Mehr News, referindo-se à operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro deste ano, que deixou mais de 100 mortos e resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, a deputada nacional Cilia Flores.

O embaixador iraniano Ali Chegini se reuniu na própria terça-feira com a vice-ministra venezuelana de Relações Exteriores, Andrea Corao Faría, para esclarecer o ocorrido. No encontro, realizado no marco do aniversário de 72 anos do nascimento de Hugo Chávez, Chegini disse haver reafirmado o respeito profundo pelo povo e pelas instituições da Venezuela.

A diplomacia do Irã destacou que os laços entre os países somam mais de sete décadas e são baseados no direito internacional e na solidariedade. O comunicado ressalta que a resistência do povo venezuelano sempre foi admirada pela nação iraniana.

“Foram prestados os esclarecimentos necessários para sanar as percepções geradas pelas recentes declarações de Sua Excelência o Sr. Seyed Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores da República Islâmica do Irã. Nesse sentido, o embaixador reafirmou que o governo e o povo venezuelanos nutrem o mais profundo e duradouro respeito pelo governo e pela nação iraniana, enfatizando que a parcialidade ou a cobertura fragmentada da mídia não devem prejudicar as fortes relações fraternas que nos unem”, diz a nota.

“Por fim, reafirmamos nosso compromisso mútuo de preservar esse valioso patrimônio histórico e de continuar fortalecendo os laços entre o Irã e a Venezuela”, conclui o comunicado.

Análises

Para a especialista em Oriente Médio e ativista da causa palestina, Hindu Anderi, é preciso ter cuidado com as narrativas que buscam transformar um mero ruído nas comunicações em um atrito diplomático “fantasioso”. 

“Eu acredito que foi um ruído produto da manipulação e da deturpação, segundo o que assinala o governo do Irã. Com certeza, sempre há pressões dos Estados Unidos e também de outros setores que estão interessados em que haja fissuras nas relações com o Irã. Então, o que ficou claro é que não existe nenhuma fissura e que as relações continuam iguais, mas é preciso estar alerta”, avalia. 

Por outro lado, Anderi considera que o pedido de explicações por parte do governo da Venezuela foi correto, já que “nenhum venezuelano patriota gostaria de ser acusado do que dizem as declarações”. 

Já para Sergio Rodríguez Gelfestein, especialista em Relações Internacionais e doutor em Estudos Políticos Globais, a reação do governo venezuelano foi “indigna” e vai ao encontro dos interesses do imperialismo estadunidense. 

“Isso responde às imposições dos Estados Unidos. A Venezuela é agora um protetorado dos Estados Unidos, e seu governo segue as ordens de Washington”, disse o especialista ao Brasil de Fato

A relação entre Venezuela e Irã é qualificada pelo governo venezuelano como “estratégica” desde os mandatos de Hugo Chávez. Em 2020, as duas nações firmaram um acordo de cooperação em diversas áreas, com duração de 20 anos. No entanto, a Venezuela tem sofrido intervenções e pressões por parte do governo dos Estados Unidos, após o ataque militar estadunidense de 3 de janeiro.

Fonte
Brasil de Fato
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