‘Não é a migração que cria a crise, é a crise que cria os migrantes’, diz coordenador do Observatório das Migrações

Por José Bernardes31/07/2026 às 23:580 visualizações
Soldados controlam enquanto imigrantes atravessam de volta ao Marrocos depois de cruzarem a fronteira para entrar na cidade espanhola de Ceuta, no Norte da África.
Soldados controlam enquanto imigrantes atravessam de volta ao Marrocos depois de cruzarem a fronteira para entrar na cidade espanhola de Ceuta, no Norte da África.
Brasil de Fato

Pelo menos 57 imigrantes morreram ao tentar chegar a nado até Ceuta, na Espanha. Segundo o governo espanhol, mais de 49 mil pessoas entraram no território espanhol, localizado no norte da África, em 24 horas. A maioria é formada por jovens marroquinos, mas também há famílias e crianças. 

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Luis Felipe Magalhães, coordenador-adjunto do Observatório das Migrações em São Paulo, explica que existe um histórico de migração marroquina na região. Com investimentos bilionários da União Europeia em fronteiras externas, países como Marrocos passaram a utilizar o fluxo de pessoas como instrumento de pressão política e obtenção de recursos.

Segundo Magalhães, o que se observa é a “consequência de um modelo imperialista de controle e produção de fronteiras externas”, no qual os migrantes são usados como “moeda de troca para obter mais recursos” em meio a disputas diplomáticas e ideológicas entre nações.

Para o analista, a desigualdade, a injustiça e a violência são os verdadeiros motores desses deslocamentos, agora agravados por crises climáticas e conflitos regionais. Ele ressalta que as travessias perigosas são muitas vezes a única opção de sobrevivência para quem enfrenta condições fatais em seus países de origem, e defende que o foco global deveria ser o direito das pessoas de “não precisarem migrar”. “Não é migração que cria crise, são as crises que criam os migrantes”, resume.

Para ele, a solução residiria na criação de políticas públicas globais e sistemas de cooperação internacional que ataquem as causas da desigualdade, em vez de apenas militarizar fronteiras e aumentar a vulnerabilidade dos indivíduos. “Nós precisamos pensar em políticas públicas globais, sistemas de cooperação internacional para oferecer às pessoas a possibilidade, seja de migrar de forma segura, ordenada e regular, seja de não precisar migrar, porque elas conseguem obter condições de vida e poder realizar os seus sonhos de vida, de trabalho, permanecendo em seu país”, destaca.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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