Com campanha ‘avermelhada’, presidente dá tom para corrida de 2026: ‘Agora é o Lula porreta’

Por Lucas Salum02/08/2026 às 18:410 visualizações
Geraldo Alckmin (PSB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetem chapa para reeleição em 2026
Geraldo Alckmin (PSB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetem chapa para reeleição em 2026
Brasil de Fato

O palco da convenção partidária da chapa Lula e Alckmin era quase monocromático: o tom vermelho dominou a iluminação do evento, o slogan da campanha e os discursos. Lançada oficialmente neste domingo (2), em São Paulo (SP), a candidatura à reeleição reuniu nomes consolidados do PT, do PSB, do PDT, do PV, da Rede, do PCdoB e do Psol no Expocenter Norte.

Figuras que só entraram na reta final na campanha de 2022 já participam desde o início em 2026, como é o caso de Simone Tebet (PSB); Carlos Lupi, presidente do PTB; e da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). Tebet e Thronicke disputaram o pleito à presidência contra Lula no primeiro turno de 2022.

Se, na eleição passada, Lula tinha a preocupação de se mostrar um candidato mais próximo ao centro, buscando fugir da pecha de polarizar o pleito com Jair Bolsonaro (PL), agora, o candidato à reeleição se mostra mais à vontade para criticar outros governos, como os de Javier Milei, da Argentina; e Donald Trump, dos Estados Unidos.

“Acabou o Lula paz e amor, agora é o Lula porreta”, anunciou já no final do discurso durante a convenção partidária.

Embora tenha entrado no evento com uma blusa branca, Lula usou seu discurso para mostrar que vai deixar de lado certas moderações e fez questão de relembrar momentos do início de sua trajetória na política, quando ainda era dirigente sindical e estava construindo o PT, com nomes como Antônio Cândido e Herbert José de Sousa, o Betinho. O presidente saudou ainda a importância de João Amazonas, histórico dirigente comunista.

Lula enfatizou também a importância simbólica de fazer o lançamento oficial da campanha no estádio Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. O local foi cenário de grandes greves de metalúrgicos do ABC, no final da década de 1970 e início dos anos 1980, mobilização em plena ditadura militar. O evento ocorrerá no dia 16 de agosto, marcando início oficial da corrida eleitoral.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), o discurso de Lula sinaliza o tom da atuação do presidente em um eventual quarto mandato.

“Ele está sinalizando o que deve ser o próximo governo, ele vai poder fazer importantes enfrentamentos que ele não pôde fazer agora, como, por exemplo, a questão das emendas parlamentares”, antecipou.

Frente ampla

Além de PT, PCdoB e PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, Psol, Rede, PSB e PDT também compõem a frente ampla deste ano.

Estiveram presentes figuras de peso destas siglas, como o presidente do PDT, Carlos Lupi; João Campos (PSB), prefeito do Recife; e Marília Arraes (PSB). A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pré-candidata ao senado pela Rede em São Paulo, também compareceu.

Além deles, figuras do primeiro escalão do PT estiveram presentes, como ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, atual candidato ao governo de São Paulo; dos atuais governadores Elmano de Freitas (Ceará), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Rafael Fonteles (Piauí), além da governadora Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte).

Fonte
Brasil de Fato
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