Do cativeiro, Maduro envia mensagem e saúda início das negociações com a oposição

Por Leonardo Fernandes03/08/2026 às 16:120 visualizações
Presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama e deputada nacional Cília Flores, continuam presos no Centro de Detenção Metropolitano de Nova York, nos Estados Unidos.
Presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama e deputada nacional Cília Flores, continuam presos no Centro de Detenção Metropolitano de Nova York, nos Estados Unidos.
Brasil de Fato

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, divulgou uma mensagem de reflexão e oração ao povo venezuelano no último domingo (2) por meio de seu perfil na rede social X. O mandatário inicia o texto saudando a realização da Marcha para Jesus ocorrida no sábado (1º) e destacando a fé e os valores cristãos. 

“Que bela maneira de começar este mês de agosto com a presença de Cristo Jesus nas ruas do povo. Parabenizamos a todos pela grande Marcha por Jesus […], onde jovens, famílias e comunidades demonstraram a verdadeira natureza de um povo nobre, cheio de fé, valores e esperança, que renasce a cada dia”, escreveu o presidente.

“Sempre nos lembramos de quando, em perfeita oração, confiamos nossa pátria ao Senhor Jesus Cristo, em 15 de junho de 2024, no Palácio de Miraflores, e reafirmamos essa confiança em 18 de novembro de 2025. Essa fé viva confirma e demonstra que, com unidade nacional, oração e ação, a Venezuela sempre verá grandes conquistas nascidas do esforço, do diálogo frutífero e da sabedoria de homens e mulheres comuns”, agregou.

Maduro afirmou que a união nacional e o diálogo fecundo permitirão ao país alcançar grandes conquistas. A manifestação ocorre no momento em que o governo e setores da oposição iniciam uma nova rodada de conversas dentro do Programa de Convivência Democrática.

O presidente defendeu um renascimento nacional baseado no respeito mútuo e na inclusão de todas e todos para levantar uma Venezuela renovada. Ele também saudou o caminho do diálogo como forma de consolidar a paz e a convivência entre os venezuelanos.

“Falar de um renascimento nacional como objetivo comum é falar de respeito mútuo na diversidade, da inclusão de todos e da ação criativa para construir uma Venezuela renovada; uma pátria humana que saiba se construir com amor, onde todos caminhemos juntos por suas ruas e comunidades com a palavra da verdade e da unidade. Acolhemos todo caminho de diálogo que ajude a consolidar a paz, a convivência e a unidade entre os venezuelanos”, publicou.

“Com essa força e essa fé inabalável, façamos de agosto um mês de conquistas maravilhosas, solidariedade inabalável, diálogo sincero e renascimento espiritual para a Venezuela. Abraços e bênçãos”, finalizou o presidente venezuelano, que segue sob custódia dos Estados Unidos, no Centro de Detenção Metropolitano, em Nova York, junto à sua esposa, a deputada nacional Cília Flores. Ambos foram sequestrados pelos Estados Unidos durante o ataque militar contra o país sul-americano no dia 3 de janeiro deste ano, que resultou em mais de 100 mortos. 

Entenda o diálogo

As negociações começaram oficialmente no dia 1º de agosto entre deputados do governo e um grupo de ex-parlamentares do período de 2015 a 2021. A delegação chavista é liderada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, enquanto a ex-deputada Dinorah Figuera lidera o grupo opositor. O processo ocorre em um cenário complexo, dez anos após o início do bloqueio econômico internacional e meses depois do sequestro de Maduro por forças estrangeiras em janeiro de 2026.

Neste contexto, Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina para garantir a gestão do Estado. Além disso, o país busca se recuperar de um duplo terremoto ocorrido em 24 de junho, que causou mais de 5 mil mortes. 

Entre os principais pontos em debate, o governo exige a suspensão das sanções impostas pelos Estados Unidos e a devolução de ativos bloqueados no exterior. Já os setores oposicionistas focam na realização de novas eleições sob condições determinadas, como a renovação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e a participação de organismos internacionais de observação e acompanhamento eleitoral. 

Segundo decisão da Suprema Corte venezuelana, o mandato do presidente Nicolás Maduro, que termina em 2031, segue vigente, já que a constituição do país não prevê sua ausência em razão de um sequestro por uma nação estrangeira. De todo modo, tanto a chefe interina do Executivo como por maioria no Legislativo, é possível que novas eleições sejam convocadas antecipadamente. 

Fonte
Brasil de Fato
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