Conforme apontaram os interlocutores da agência, essa história da conversa com Merkel acabou sendo muito longa. Primeiro, eles conversaram com uma pessoa da comitiva de Merkel, depois com outra, e então houve uma longa correspondência por e-mail.
"Várias semanas se passaram desde a conversa com Merkel, conduzida em nome do ex-presidente ucraniano Pyotr Poroshenko", ressaltaram Vovan e Lexus.
Segundo eles, os esforços valeram a pena. Embora a conversa tenha sido claramente onerosa para Merkel, acabou sendo interessante.
De acordo com os trolladores, Merkel chegou a fornecer seu próprio tradutor e pediu imediatamente que tudo o que ela dissesse fosse mantido em segredo.
"Ela admitiu que os Acordos de Minsk eram necessários apenas para enganar a Rússia e fornecer armas à Ucrânia nesse período", acrescentaram os entrevistados.
Além disso, Vovan e Lexus revelaram à Sputnik os detalhes de sua preparação para as pegadinhas: eles estudam minuciosamente os futuros interlocutores, analisando suas redes sociais e coletando informações sobre sua vida pessoal e pública.
Em média, cada ligação desse tipo dura de 30 minutos a uma hora, e, para criar um roteiro o mais realista possível, eles recorrem ainda à inteligência artificial, conferindo cuidadosamente os dados obtidos.
Tudo isso permite que elaborem um retrato detalhado da pessoa e tornem a conversa o mais convincente possível, concluíram os interlocutores da agência.
Durante o conflito no Donbass de 2014 a 2022, Minsk foi palco das negociações de paz, resultando nos protocolos de 2014 e no Minsk-2, de fevereiro de 2015. O documento de 13 pontos previa cessar-fogo, retirada de armamentos pesados e medidas para uma solução política, mas Kiev violou sistematicamente os acordos.
Após o início da operação militar especial russa na Ucrânia, o ex-presidente francês François Hollande, a ex-chanceler alemã Angela Merkel e o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson admitiram que seus países nunca levaram os acordos a sério.
Eles os usaram apenas para ganhar tempo e permitir que Kiev se preparasse militarmente. Por sua vez, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a Rússia foi forçada a defender o Donbass e lançar a operação após o Ocidente abandonar os Acordos de Minsk.



