Governo de SP precisa formalizar os acordos para que greve de ferroviários termine, afirma direção de sindicato

Por Afonso Bezerra04/08/2026 às 14:290 visualizações
Estação da Linha 11-Coral da CPTM
Estação da Linha 11-Coral da CPTM
Brasil de Fato

A greve dos trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) nesta terça-feira (4) comprometeu a circulação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, em São Paulo (SP), incluindo o Expresso Aeroporto. As linhas somam cerca de 1 milhão de embarques por dia útil.

Com a paralisação parcial, os indicadores da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registraram um congestionamento de 2.125 quilômetros nas ruas e avenidas por volta das 10h30 da manhã, o que pode ter sido agravado pela suspensão do rodízio de carros.

Os ramais afetados foram privatizados recentemente em um processo que já dura mais de um ano. No dia 23 de julho, um curto-circuito provocou um incêndio em um trem na Linha 12-Safira, gerando explosões, pânico entre passageiros que caminharam pelos trilhos e a interrupção completa do serviço oferecido pela Trivia Trens.

Diante da gravidade da pane, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a estatal CPTM retomasse a operação das três linhas pelo período mínimo de 90 dias. No entanto, os ferroviários convocados de última hora para corrigir as falhas operacionais apontam falta de garantias de estabilidade profissional.

Os trabalhadores cobram a reestatização das linhas, a garantia de emprego para e a aprovação de um projeto de lei que preveja a absorção dos funcionários da CPTM após a privatização.

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Ronaldo Domingues, diretor executivo do Sindicato Central do Brasil, avalia que a mobilização está sendo bem sucedida e explica que estão sendo respeitados todos os requisitos de atendimento ao público em horários de pico. Além disso, Domingues afirma que a categoria está bastante confiante de que conseguirá ser recebida ainda nesta terça-feira pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O sindicalista também reforça que o diálogo com a CPTM segue acontecendo e que, ainda nesta terça-feira, eles devem dialogar com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) sobre os próximos passos da paralisação.

Domingues explica que a situação insustentável de agora teve início há um ano, quando começaram as concessões das linhas de trem para a iniciativa privada. “Desde que foi aprovada a concessão das linhas 11, 12, 13, a gente vem tentando conversar com o governo para saber o destino dos trabalhadores dessas linhas após a concessão”, afirma, relatando que apenas após o anúncio do movimento de greve é que o governo aceitou receber os trabalhadores.

“Esta conversa teve avanços, sim, o governo se comprometeu a buscar, dentro das empresas do estado, a absorção em modelo de convênio. Uma delas é o Metrô, a Artesp, aArsesp e outras mais que o governo seja gestor”, continua.

A paralisação, segundo Domingues, foi uma forma de dar um basta nesse longo tempo de espera. “Os trabalhadores não aceitaram esperar mais 60 dias para voltar a conversar com o governo.”

Ele reforça que os trabalhadores querem que o governo formalize os acordos que estão sendo alinhados nessas conversas, como o compromisso de não haver demissões no período. “Acredito que, assim que o governo formalizar esses combinados, a categoria retoma imediatamente o trabalho”, avalia.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
Abrir original ↗
Esta notícia foi útil?

Debates 0

Seja o primeiro a contribuir com o debate.

Difunda suas informações e promova seu argumento

Não se acanhe de publicar alguma informação ou dado que possa ser positivo ou útil.

Para participar do debate, entre com sua conta ou crie uma gratuita.