O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, na segunda-feira (3), que o bloqueio naval imposto pelo país ao Irã deve continuar até que haja um acordo ou uma “rendição total” de Teerã. A declaração ocorre em meio à guerra que já dura cinco meses entre os dois países, iniciada em 28 de fevereiro, e ao impasse em torno do programa nuclear iraniano.
Em mensagem publicada em sua rede social, Trump acusou a liderança iraniana de agir de forma ambígua ao negar publicamente contatos com Washington. “Os líderes iranianos são incrivelmente dissimulados. Pedem uma reunião, alguns diriam que suplicam, as conversas começam, outros encontros estão previstos para um futuro imediato, e eles dizem, publicamente e com orgulho, que não mantêm nenhuma conversa”, escreveu.
O republicano também afirmou que o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás, está “totalmente controlado” pela Marinha dos Estados Unidos. Referindo-se ao bloqueio dos portos iranianos, acrescentou: “Nada passa para o Irã e nada passará enquanto não houver um acordo ou uma capitulação total”.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou, na mesma segunda, ter redirecionado 44 navios comerciais desde a reimposição do bloqueio naval em meados de julho, sendo nove apenas nas últimas 24 horas, além de imobilizar duas embarcações e abordar outras duas durante as operações de fiscalização.
As declarações representam um endurecimento da posição de Trump que, desde o início do conflito, alterna ameaças de ataques mais amplos com anúncios de possíveis negociações — ainda na segunda, o Irã voltou a negar qualquer negociação em andamento com Washington, dizendo dialogar apenas com Omã sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
Apesar dos repetidos ataques estadunidenses, o Irã segue capaz de lançar mísseis e drones contra alvos militares dos Estados Unidos na região, e os ataques nas proximidades do Estreito de Ormuz têm afetado o comércio global de energia, ampliando os temores sobre o abastecimento mundial de petróleo.
Pezeshkian diz que Irã não quer ampliar guerra
Nesta terça-feira (4), o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país pretende defender sua integridade territorial, mas não tem intenção de ampliar o conflito. “Devemos trabalhar para construir uma sociedade que não ofereça ao inimigo qualquer tentação de interferir, qualquer abertura para se infiltrar e qualquer meio de nos dividir ou desmantelar”, disse o presidente, em mensagem divulgada pela mídia estatal iraniana, que também destacou a necessidade de fortalecer a sociedade do país contra ameaças externas.
A fala de Pezeshkian ocorre um dia depois de Trump classificar o momento como a “última chance” para que o Irã alcance um entendimento com os EUA, e representa uma mudança em relação ao tom adotado por Teerã nos últimos dias.
O Estreito de Ormuz é uma “artéria” da indústria petrolífera, por onde passava cerca de 20% de todo o petróleo do mundo, e seu fechamento durante o período de conflito teve forte impacto na economia global. A navegação comercial segue ameaçada, com o trânsito nos estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb estrangulado, ao mesmo tempo em que países árabes e europeus negociam a criação de uma coalizão internacional de segurança marítima.
*Com informações de Opera Mundi e G1.
