Após ataques de Milei, Brasil rebaixa relações diplomáticas com Argentina e dispensa embaixador

05/08/2026 às 01:010 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
Em uma medida inédita na história da relação entre os dois países, o Itamaraty comunicou nesta terça-feira (4) ao embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, que as tratativas diplomáticas passarão a ser conduzidas apenas pelo encarregado de negócios da representação. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal argentino Clarín.
A resposta inclui também a retirada de Julio Bitelli da Embaixada do Brasil em Buenos Aires. Com isso, o posto permanecerá vago enquanto Milei mantiver os ataques ao presidente brasileiro e a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Raimondi não será declarado persona non grata nem expulso do país. Ainda assim, deixará de atuar como principal interlocutor da relação bilateral, que passa a ser conduzida em um nível diplomático inferior.
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A decisão foi tomada pouco mais de uma semana depois de Milei participar, em São Paulo, do lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. No evento, o presidente argentino chamou Lula de "ladrão" e "presidiário" e classificou o ministro Alexandre de Moraes como "lixo careca", após o magistrado impedir sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Na última segunda (3), Milei voltou a atacar o presidente brasileiro em entrevista à mídia local. "Ele foi solto por causa de uma falha processual. Ele não é inocente. [...] é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", justificou o argentino.
Milei não mediu esforços ao criticar o brasileiro ao afirmar que "se há alguém que interfere politicamente na região, é Lula, contaminando por completo com as ideias imundas do socialismo", sem apresentar provas dessa suposta interferência na América Latina.
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Queda da popularidade na Argentina

Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil nos últimos dias apontam que os insultos são parte da estratégia de Milei para fortalecer sua base em meio à queda de popularidade. "Hoje, a gente não consegue dividir tanto política externa e política interna. As duas coisas estão muito entrelaçadas", avalia a pesquisadora Beatriz Bandeira de Mello.
Segundo a especialista, Milei tem o costume de, diante sua impopularidade, reforçar sua agenda ao lado dos EUA e criar embates com parceiros tradicionais e regionais. "Ele já fez isso com a Espanha e com a Colômbia."
Apesar do discurso, a relação econômica entre os dois países segue sólida. O comércio bilateral bateu R$ 160 bilhões em 2025, e a integração produtiva e o Mercosul reduzem o risco de uma ruptura comercial.
A internacionalista Flávia Loss pontua que as ações de Milei acabam criando uma animosidade entre Brasil e Argentina que não é boa para nenhum dos dois lados. O maior risco, diz, está no longo prazo: o desgaste gradual da confiança política entre os dois países, reduzindo o espaço para novas iniciativas de integração regional e coordenação de políticas.
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Sputnik Brasil
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