O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já tem um vice para sua chapa presidencial: o deputado federal Alfredo Gaspar. O anúncio ocorreu em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (5), último dia do prazo legal para a realização das convenções partidárias. A formação de uma chapa pura, composta exclusivamente por filiados ao PL, confirma o isolamento político da candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também nesta quarta-feira, uma nova pesquisa Genial/Quaest aponta vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno com vantagem de 5 pontos percentuais. Para o primeiro turno, o levantamento considerou as candidaturas de Lula, que aparece com 39%; Flávio Bolsonaro (PL), que teria 30% das intenções de voto; Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), que teriam 4% cada; Romeu Zema (Novo), com 2%; Cabo Daciolo (Mobiliza), o escritor Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP), com 1% cada; e Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Leonardo Avalanche (PRTB), todos sem representação de votos significativa. Indecisos são 10% e 8% são brancos, não votarão ou votarão nulo.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Paulo Roberto de Souza avalia que a escolha de Gaspar se deu porque, talvez, “seja o único que aceitou”, além de ter uma postura de atuação muito alinhada ao bolsonarismo.
“Não vejo como um cálculo da campanha de Flávio, porque me parece que foi o que deu para fazer”, aponta. “Eu vejo que é uma chapa com uma capacidade de manter coeso o núcleo duro do bolsonarismo de eleitores bolsonaristas em torno da candidatura do Flávio. O que é muito importante nesse pontapé inicial da campanha.”
Souza pondera que a polarização faz com que uma parcela significativa de eleitores vote menos para Lula ou Bolsonaro e mais contra os candidatos. “Boa parte desses outros 15% a 17% que Flávio tem é um eleitorado formado, na sua maioria, por antipetistas. Antes de tudo, são pessoas que rejeitam o Lula e o petismo. Esse voto é tão pragmático, a ponto de ser muito dispersivo rapidamente, se ele tem um sentimento estatístico de que o principal candidato que pode ganhar do Lula vai perdendo força”, analista Paulo Roberto de Souza.
Nesse sentido, o cientista político também avalia que Flávio, no primeiro turno, pode acabar perdendo votos para candidaturas da direita, por mais que não sejam competitivas no atual cenário. “É um risco que ele corre, que eu ainda acho difícil, mas que, se a gente acompanhar a opinião pública, se a gente acompanhar algumas movimentações, vai perceber que esse discurso está aparecendo: uma tentativa de colocar Ronaldo Caiado como alternativa, principalmente depois que Gilberto Kassab foi consagrado como seu candidato a vice. O Fantástico fez uma reportagem sobre o Caiado, dando alguns minutos muito preciosos para um candidato que mal passa de 5% das intenções de voto. Então, isso é muito sintomático”, afirma.
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