Atriz Giulia Costa, do movimento body positive, critica ‘era da performance’ e nega ideia de perfeição

Por Conversa Bem Viver05/08/2026 às 21:551 visualizações
Giulia
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Brasil de Fato

A superexposição promovida pelas redes digitais impacta na forma como as pessoas percebem o que é ser uma pessoa pública. Essa foi uma das reflexões feitas pela atriz e integrante do movimento body positive Giulia Costa para o programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato.

Filha da também atriz Flávia Alessandra, com quem faz o podcast Pé no sofá Pod, em que elas conversam com pessoas convidadas sobre cotidiano, relações e trabalho, Giulia já nasceu sob os holofotes da imprensa e indaga com estranheza sobre como crianças veem a fama como uma profissão hoje em dia.

“Hoje ser famoso é quase uma profissão, engraçado isso. Tem muitas crianças que respondem: ‘Eu quero ser famoso’. Acho que antigamente era: ‘eu quero ser cantor, eu quero ser atriz, eu quero ser apresentador’. E a vida pública vinha como consequência”, relata a atriz.

Giulia, que se identifica também como influenciadora e justifica fazer isso com responsabilidade, critica o que ela chamou de ‘era da performance’ nas redes. Segundo a atriz, o que é postado no mundo digital é apenas um recorte da vida e não condiz com o mundo real.

“Uma pessoa que trabalha, que tem uma vida normal, e não de um influenciador, dorme pelo menos 8 horas, trabalha 8 horas, sobram pouquíssimas horas. Precisa de tempo de deslocamento, necessidade básica, então, no final do dia, sobram 2 horas. E as pessoas que a gente dá poder, que a gente segue, querem que a gente acredite que, dentro dessas duas horas, a gente ainda precisa correr, pedalar, nadar, ler 100 páginas de um livro, ouvir o podcast da semana, ver o filme do Oscar, ler uma resenha, ter um cachorro, ter um filho. É humanamente impossível”, afirma. 

Uma das vozes ativas do movimento body positive no Brasil, Giulia alerta para o retorno do imaginário do corpo perfeito, também estimulado pelas redes sociais e pelos influenciadores. Ela esclarece que, para além de números de manequim, peso ou medidas, o movimento é sobre o bem-estar consigo mesma.

“Quando nós falamos sobre o movimento body positive, nada mais é do que amar o corpo que a gente tem aqui agora. Isso pode ser interpretado como ‘eu só posso me amar com esse corpo que eu tenho agora’. Com o corpo que eu tenho depois, não. E aí, quando você perde peso ou quando você ganha peso, você tem que deixar de se amar, porque você disse para você se amar com aquele corpo. Body positive é estar bem consigo mesma, independente de estar com quilos a mais ou a menos”, explica.

Sobre a ascensão das chamadas canetas emagrecedoras, a atriz pondera que o medicamento foi desenvolvido para o tratamento de doenças como obesidade e diabetes. E que o que precisa de atenção é a forma inescrupulosa de se lidar com essa opção. “O uso errôneo, o uso indevido e antiético dela, essa é a nossa crítica aqui”, diz.

Giulia ainda analisa as mudanças sociais que as canetas emagrecedoras estão promovendo no âmbito comportamental. “Por mais nichada que apareça a discussão, a gente está falando do mundo da moda. Os restaurantes estão se reinventando para fazer porções menores. A gente está falando do comércio, que também está se reinventando de diversas maneiras para atender as novas dores dessa sociedade, com o uso tão grande das canetas emagrecedoras”, aponta.

Conversa Bem Viver

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