Europa caminha, quase sem perceber, para a irrelevância econômica e política

06/08/2026 às 03:571 visualizações
Foto: AVISO: midia estatal russa / Sputnik Brasil
Os dados econômicos são contundentes:
Em 2008, a economia da União Europeia era 10% maior que a dos EUA;
Quando o sistema bancário dos EUA desencadeou um colapso financeiro global em 2008, a economia europeia encolheu, passando a representar 67% do PIB dos EUA em 2023;
Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 18% do PIB global em valor de mercado.
Em contrapartida, a participação da China no PIB global em 2026 situa-se em 19,89%, tornando-a a maior economia do mundo em termos de Paridade de Poder de Compra (PPC), com um crescimento real do PIB projetado em 4,6% (para 2026).
Para 2027, prevê-se uma expansão de 2,2% na economia dos EUA, enquanto países da União Europeia, como Alemanha, França e Itália, apresentam projeções bem abaixo da média global de crescimento de 3,4%.
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Decisões da própria Europa agravaram fragilidades estruturais:
Os elevados custos de energia foram provocados por decisões políticas, como o abandono das importações de energia barata da Rússia e a mudança para o GNL (gás natural liquefeito) mais caro dos EUA;
A pobreza energética sufocou a indústria alemã;
A inovação estagnou devido a impostos elevados, regulamentação excessiva e mercados de capitais fragmentados. O importante relatório de Draghi sobre a competitividade europeia (2024) diagnosticou uma lacuna de produtividade "existencial", observando que apenas quatro das 50 maiores empresas de tecnologia do mundo são europeias;
A produtividade do trabalho nos EUA cresceu 9,7% entre 2019 e 2024, enquanto a União Europeia registrou um avanço de apenas 2,4% (relatório da OCDE);
A produtividade da China disparou 170% entre 2005 e 2024.
No âmbito militar, o cenário é igualmente sombrio, uma vez que as capacidades de defesa da Europa se atrofiaram a ponto de o continente depender quase totalmente do "guarda-chuva" de segurança dos EUA.
Em março de 2025, as Forças Armadas dos EUA contavam com aproximadamente 1,32 milhão de militares na ativa;
O Exército de Libertação Popular da China é o maior do mundo, composto por cerca de 2,035 milhões de soldados na ativa;
Em contrapartida, as Forças Armadas do Reino Unido estão em situação precária, marcadas por subinvestimento sistemático, uma frota de submarinos envelhecida e um exército em redução (com um núcleo pronto para o combate de apenas 128.370 efetivos);
A Bundeswehr (Forças Armadas da Alemanha) enfrenta dificuldades para atingir sequer 181 mil soldados na ativa.
O fortalecimento militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) — impulsionado pelo alarmismo em torno de uma suposta "ameaça russa", pelo apoio direcionado à Ucrânia e pelo aumento dos gastos com defesa — ocorre em detrimento da economia e dos programas sociais da Europa.
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Armadilha geopolítica

A crise é agravada por fatores geopolíticos. À medida que os EUA se mostram aliados cada vez menos confiáveis ​​— pressionando a União Europeia a aceitar acordos comerciais desvantajosos — e a ascensão econômica da China remodela o comércio global, a Europa vê-se encurralada.
No cenário atual, os maiores mercados internos — Estados Unidos e China — sairiam menos prejudicados de qualquer guerra comercial, enquanto a Europa, cuja economia depende 50% das exportações, seria a maior perdedora.
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Sputnik Brasil
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