Assim como Trump, Milei aposta na volta da extrema direita no Brasil, avalia especialista

Por Larissa Bohrer05/08/2026 às 23:322 visualizações
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Javier Milei
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Javier Milei
Brasil de Fato

O governo brasileiro decidiu rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina após a série de ofensas proferidas pelo presidente argentino Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outras autoridades, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Samiyah Becker, doutoranda no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Integração da América Latina da USP (Prolam-USP) e pesquisadora do programa Realidades Latino-americanas (Unifesp/Unicamp), avalia que um rompimento total neste momento é pouco provável e lembra que as tensões entre os países vêm acontecendo desde a gestão de Jair Bolsonaro com Alberto Fernandes.

Contudo, Becker afirma que as relações comerciais são, historicamente, bastante estáveis, mas considera algum abalo. “Afeta em questão de estabelecer novas parcerias e aprofundar os acordos, mas também é muito prejudicial para o Brasil, porque a Argentina é um dos principais parceiros comerciais, principalmente de produtos de maior valor agregado, apesar de o Brasil estar em uma posição economicamente mais confortável do que a Argentina.”

Para Becker, Milei tem tido uma postura subserviente ao Trump porque vislumbra os Estados Unidos como parceiro a longo prazo. “Ele tem uma aposta econômica que vai em outra diretriz, que é atrair investimento externo, se tornar e colocar os Estados Unidos como um parceiro prioritário no longo prazo”, avalia.

A especialista cita a postura do ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, de tentar minimizar o episódio, e alerta para a declaração dele. “Ele falou: ‘Temos diferenças ideológicas. A América do Sul está mudando e assim esperamos que seja também no Brasil’. Eu acho que isso também mostra uma aposta muito grande que eles estão fazendo na volta da extrema direita do Brasil, tendo em vista esse contexto de eleições que a gente tem tido de aliados do Trump e intervenções bem-sucedidas nas eleições do nosso continente”, avalia Samiyah Becker.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte
Brasil de Fato
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