Até o mês de dezembro deste ano, o Cinema do Instituto Moreira Salles (IMS) de São Paulo exibe uma retrospectiva do diretor iraniano Abbas Kiarostami. A mostra marca os 10 anos de morte do cineasta e conta com a curadoria do diretor de cinema brasileiro Kléber Mendonça.
A supervisora de programação do festival e curadora do Cinema do IMS, Márcia Vaz, contou em entrevista ao Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, as ideias por trás da mostra sobre Kiarostami:
“O nosso desenho de programação está olhando para vários lugares. Ele é político, porque todo ato é político, cinema é político e não necessariamente um político partidário. Também pensar por que exibir esses filmes, para quem a gente exibe, que público a gente quer trazer que ainda não frequenta o cinema do IMS.”
A filmografia de Kiarostami apresentou ao mundo a vida cotidiana no Irã, para além do seu sistema político, sua produção de petróleo e disputas geopolíticas, temas mais comuns nos noticiários internacionais.
Os primeiros trabalhos do Abbas, em formato curta-metragem, foram desenvolvidos enquanto ele era diretor do Kanun (Instituto para o Desenvolvimento Intelectual da Criança e do Adolescente). A curadora da mostra pontua que essa produção inicial embasou o cinema realizado no Irã.
“São filmes que vão pavimentar esse cinema desenvolvido no Irã, sobretudo o tom de toda a filmografia dele dali por diante, que é esse cinema de todo o cotidiano, que aparentemente é um cinema simples, mas que tem uma complexidade bastante singular”, analisa Vaz.
A chamada Trilogia de Koker (composta pelos filmes “Onde é a Casa do Amigo?”, “Vida e Nada Mais” e “Através das Oliveiras”), que deu repercussão internacional ao diretor, está inclusa na programação da mostra.
“Gosto de Cereja”, filme lançado em 1997 e premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes, e “O Vento nos Levará”, de 1999, agraciado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza, também têm sessões programadas durante a mostra.
Ao comentar a forma de filmar do cineasta iraniano, a curadora da mostra relembra uma frase do próprio artista: “Um jeito muito peculiar e único de filmar. E ele diz que não aceita que desvalorize ou mesmo que exalte o espectador. Talvez o espectador, nesse sentido, seja alguém que faça apenas parte desse processo de construção de narrativa, de linguagem fílmica desse diretor específico”, destacou Vaz.
As sessões do mês de agosto da mostra têm entrada gratuita e a programação está disponível no site do IMS São Paulo.
Conversa Bem Viver

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