
Nas últimas cinco décadas, os plantios ilícitos de maconha no Brasil permaneceram concentrados quase exclusivamente no sertão dos Estados da Bahia e de Pernambuco, caracterizando uma atividade vinculada a economias ilícitas locais e a formas específicas de criminalidade regional. Entretanto, evidências recentes revelam mudanças significativas nesse cenário. Para discutir esse tema, o Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e a Associação Internacional de Criminologia em Língua Portuguesa (AICLP) promovem, no dia 11 de agosto, a partir das 14h (horário de Brasília), a conferência on-line Plantios ilícitos de maconha no Brasil: transformações territoriais e mercados ilícitos.
O evento havia sido adiado anteriormente e agora foi reagendado, novamente de forma exclusivamente on-line e com transmissão pelo canal do IEA-RP no YouTube. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas neste link. Participantes que já haviam feito inscrição anteriormente não precisam fazer novamente. Haverá envio de certificado a todos que preencherem um formulário de presença que será enviado no chat durante o evento.
O palestrante será o professor titular do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Paulo Fraga. Ele vai discutir a expansão dos cultivos ilícitos para novas regiões do País, especialmente para a Amazônia Legal e outros estados brasileiros onde, até poucos anos atrás, não havia registros de plantações extensivas.
A partir de dados do Observatório dos Plantios Ilícitos no Brasil, o docente vai analisar as hipóteses explicativas para esse processo, sustentando que essa expansão não decorre do chamado balloon effect (efeito balão), mas da atuação de novas organizações criminosas que passaram a incorporar o cultivo de cannabis às suas estratégias de diversificação de mercados ilícitos, em articulação com outras modalidades de criminalidade organizada.
Paulo Fraga é bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF), possui mestrado em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorado em Sociologia pela USP. Coordena o Núcleo de Estudos sobre Política de Drogas, Violências e Direitos Humanos (NEVIDH) e o Laboratório Social da Cannabis, ambos da UFJF. É professor colaborador do doutorado em Ciências Sociais com concentração em Estudos Rurais do Centro de Estudios Rurales do Colégio de Michoacán, México. Tem experiência na área de sociologia, com ênfase em estudos e pesquisas sobre cannabis, sociologia do crime e da violência e em estudos sobre o impacto das ações de repressão e das políticas de drogas sobre indivíduos, grupos e populações. Realiza pesquisas também em sociologia da juventude, direitos humanos e conflitos sociais.
Mais informações sobre a conferência: iearp@usp.br.
Sobre o grupo
O Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública propõe dedicar-se ao estudo de experimentos, métodos e intervenções que permitam extrair evidências científicas sobre o que funciona (what works) nas estratégias de segurança pública. Com base nas evidências científicas obtidas pelo método experimental, pretende-se desenvolver novas abordagens teóricas e recomendações de ação estratégica no campo da segurança pública. Saiba mais sobre o grupo e suas atividades neste link.
*Assessoria de Comunicação do IEA-RP




